As escolas estaduais do Alto Tietê permitirão que os alunos utilizem celular durante as aulas para fins pedagógicos. A medida, que foi proposta pela Secretaria de Estado da Educação e sancionada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), na última segunda-feira, foi elogiada por profissionais entrevistados pelo Dat. Apesar de serem favoráveis à mudança, eles afirmam que o uso terá que ser regrado e o professor capacitado para isso.
A ação tem como objetivo incentivar os jovens a estudar e auxiliá-los no acesso a diversas bibliotecas e obras literárias online. Irá ajudar a desenvolver uma geração que estará nas escolas para o futuro, para as profissões do mundo da informática, conforme explicou o secretário de Estado da Educação, José Nalini.
A coordenadora da subsede de Suzano do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Ana Lúcia Ferreira, declara sua preocupação com a medida. "A informática está para favorecer o sistema, mas a minha preocupação é com as estruturas das salas de aula. É difícil um professor com 40 alunos ter que dar aula e ainda ficar preocupado com o que cada um está fazendo no celular".
A tecnologia está cada vez mais presente na sociedade e esta medida é inevitável, afirma o sociólogo Afonso Polo. "A tecnologia já faz parte da vida de muita gente e o uso dela em beneficio da educação é favorável. Mas tudo depende de como os professores e alunos irão absorver este privilégio".
De acordo com o sociólogo, terá que haver uma capacitação dos profissionais da educação, para que haja uma harmonia nos processos de aprendizagem. "Não adianta só aceitar a presença dos celulares, os professores terão que se preparar para orientar os alunos e não causar dispersão".
E o que pode auxiliar na educação de todos, pode também excluir os alunos que não têm celular, de acordo com Vânia Pereira, coordenadora da subsede de Mogi das Cruzes da Apeoesp. "A questão social fala mais alto, nem todos têm celular. Não faz parte do material escolar e o professor não poderá exigir uma atividade. Deixa de ser pedagógico e justo".
Primeiramente, cerca de 500 escolas receberão os sistemas de wi-fi e banda larga para o acesso à internet, até janeiro do ano que vem.
Segundo o secretário da Educação, em outubro, 5 mil escolas estarão com os serviços de internet instalados.
* Texto supervisionado pelo editor.