Acontece na Câmara de Mogi das Cruzes o V Simula Mogi, um fórum de discussão estudantil promovido pelo Colégio São Marcos, que esse ano reúne estudantes do Ensino Médio da rede pública e privada para debater sobre questões políticas e econômicas em alta no Brasil. A primeira etapa do evento aconteceu ontem e hoje será realizado mais um encontro para fechar as atividades do fórum. O tema dessa edição é "Caminhos para a reconstrução da democracia brasileira". Essa edição conta com a participação de alunos do Colégio São Marcos, Santa Mônica, Gutemberg, Aruã e da rede pública de Ensino no Parlamento Municipal.
A 5ª edição do evento é aberta ao público e pretende debater sobre as denúncias da J&F, operação Lava Jato, reformas política e da previdência e a privatização da Petrobras. Os alunos, que passaram por um longo período de pesquisas, dividem-se em grupos e representam partidos, o que funciona como uma ferramenta pedagógica para unir e transmitir conhecimentos que auxiliam na formação política dos indivíduos, já que o modelo propõem que um mesmo aluno experiencie diferentes ideologias ao se deparar com o problema, tanto pela visão política da direita, quanto da esquerda.
O ex-aluno do Colégio São Marcos, Thiago Godoy, formado em Relações Internacionais pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), que participou da primeira edição do debate em 2013 e hoje preside a mesa de discussões, disse acreditar que nas escolas os alunos acabam assumindo uma postura mais passiva, pois estão sempre sentados apenas ouvindo e absorvendo o conhecimento. "As simulações colocam o aluno como protagonista, fazendo com que eles defendam uma ideia, possibilitando assim, que saiam de suas zonas de conforto", comentou.
Godoy acrescentou que é importante engajar cada vez mais escolas e alunos nessas simulações, pois em meio a toda pressão colocada em cima dos estudantes, elas servem como um "alívio", não apenas no sentido de poderem aprender na prática, pesquisar e fundamentar argumentos de maneira mais dinâmica, mas também como uma forma de terem ideia de qual profissão gostariam de seguir.
Segundo o professor e coordenador do projeto, José Henrique Porto, essa prática evita a doutrinação política e tem a diplomacia como diferencial, onde visam a vitória de todos. Para ele, existem duas missões principais presentes nos debates: "A primeira é por ser o mais político dos atos, onde todos devem estar sempre abertos ao diálogo e, a segunda, buscar a vitória efetiva, que só ocorre quando todos vencem", comentou o professor.
O projeto surgiu a partir da inspiração em um modelo britânico de orientação política, no qual a oratória dos estudantes é estimulada por meio de debates.