A Secretaria Municipal de Cultura está enviando ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap) um ofício, por meio do qual solicita que as rezadeiras do Divino sejam inseridas no livro de registro de bens culturais de natureza imaterial, conforme decreto 7.970/2007. O objetivo da medida é preservar e reconhecer o valor histórico do grupo, cuja atuação já faz parte da identidade e da memória cultural da cidade.
O trabalho de pesquisa para embasar o pedido foi realizado em parceria com a pesquisadora e professora doutora Luci Bonini, da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). No documento, são listadas as origens do grupo e também os primórdios da devoção ao Divino Espírito Santo em Mogi, o que já demonstra e justifica a importância histórica e cultural do movimento.
O documento fala sobre o impacto da festa, que é uma das maiores e mais antigas do Brasil, na estrutura econômica e turística da cidade. Também detalha a atuação das rezadeiras, que em geral começam os trabalhos no mês de janeiro, com a Missa do Envio e a peregrinação pelas casas de fiéis. São mais de 50 rezadeiras e rezadores principais e mais de 200 auxiliares, todos portando objetos de devoção, como a imagem e medalha do Divino Espírito Santo, as bandeiras, toalhas, caixa dos pedidos, cofre das esmolas e cálices.
Um pouco do perfil dessas rezadeiras também é detalhado no documento. Em Mogi, como descrito no ofício, são predominantemente mulheres, muito embora o grupo também conte com a participação de alguns homens. Os propósitos das rezas da Coroa do Divino na casa dos fiéis são muitos. Entre eles estão preparar os devotos para a celebração maior, fortalecer a fé e proporcionar alívio e esperança aos que necessitam.
História
A irmandade que deu a origem às rezadeiras do Divino, como relatado em ofício, foi algo construído ao longo do tempo. Com o reconhecimento do trabalho deste grupo pelo bispo local, fato este que se deu há algumas décadas, o grupo ganhou importância e seus membros passaram a ser autoridades respeitadas.
Um dos pontos cruciais do pleito é o apontamento de que as rezadeiras são parte das comemorações do Divino Espírito Santo há mais de 40 anos. Elas representam, portanto, "práticas repetidas reiteradamente, transformadas e atualizadas. São referências culturais do município de Mogi das Cruzes", descreve o documento.
Esta não é a primeira iniciativa de reconhecimento da importância deste grupo por parte da Secretaria de Cultura. Em 2016, foi lançado pelo Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam) um CD que registra nas vozes das rezadeiras a Coroa do Divino Espírito Santo. O projeto faz parte da Coleção Boigyana, que tem como meta preservar e valorizar a memória cultural de Mogi.
Também existe um livro, lançado no ano passado pela mesma pesquisadora da UMC, Luci Bonini, que trata da memória das rezadeiras.