De janeiro a setembro deste ano, 29 órgãos foram captados no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi, e a meta da unidade é aumentar esse número. Para isso está sendo realizada a campanha "Sim Para Doação", organizada pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) para celebrar o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos.
Durante evento realizado ontem, famílias de doadores, transplantados e pessoas que aguardam na fila de espera foram homenageadas. "Nosso objetivo é conscientizar o maior número de pessoas possível sobre a importância desse tema. Hoje a taxa de recusa para doação é de 46% das famílias, mas chegou a 52%", explicou a diretora de Enfermagem do Luzia, Roseli Gomes Cavalini.
Segundo ela, a questão cultural ainda pesa no momento de decidir se os órgãos serão doados. "Existe um medo ainda sobre a morte cerebral, porque a família acredita ainda que aquela pessoa pode voltar a viver, quando na verdade ela já está morta, sobre integridade do corpo para o velório e enterro, sobre a demora para retirada do órgãos, o que poderia atrasar o sepultamento. Por isso a necessidade de se falar sobre esse tema e tirar todas as dúvidas".
A enfermeira Dayana Calado, que atua no Núcleo de Captação de Órgãos do Hospital Albert Einstein, destaca a importância de avisar os familiares sobre a vontade de se tornar um doador. "Existia a lei onde a pessoa informava no RG se queria doar os órgãos, mas hoje não é mais necessário isso, basta a família, que pode ser aparentado de até 2º grau, ou o cônjuge, sendo casado ou tendo uma união estável, autorizar o procedimento. Um doador pode salvar até oito vidas, porque é possível transplantar coração, pulmão, fígado, pâncreas, pele, entre outros órgãos e tecidos", explicou.
O evento também tratou da capacitação dos profissionais do hospital, que realiza captação e transplante de órgãos desde 2005. "Não existe um convencimento da família nesse momento tão difícil que é a morte de um ente querido, o que se tem é a união do acolhimento por parte da equipe hospitalar com informação sobre o procedimento para que a família tome a melhor decisão", completou Dayana.