O engenheiro Jamil Hallage foi responsável por abrir as duas principais rodovias de Mogi das Cruzes. Ele comandou em 1969 a construção da Mogi-Dutra e em 1977 iniciou as obras da Mogi-Bertioga. As duas ligações foram projetadas nas administrações do então prefeito Waldemar Costa Filho. O ex-secretário avaliou que Mogi ainda tem muito o que crescer e que é necessário pensar em um novo projeto viário para a região central.
Hallage chegou a Mogi em 1954 para trabalhar na extinta Mineração Geral do Brasil. Foi lá que conheceu Costa Filho, que comandaria o município por quatro gestões. Em 1969, durante o primeiro mandato do político, ele recebeu a missão de construir a ligação entre a cidade e a via Dutra. "Recebi na minha mesa o Plano Diretor e um dos itens falava que Mogi era uma cidade fechada. A grande missão que recebi foi construir a Mogi-Dutra, abrindo 20 quilômetros da Serra do Itapeti", lembrou.
A estrada entregue em meados de 1971 era muito diferente da rodovia que existe hoje. Ela era feita de terra e cascalho. Apenas depois recebeu o asfalto.
Na segunda gestão de Costa Filho, Hallage recebeu a incumbência do encabeçar a construção da Mogi-Bertioga. "Quatro meses depois de assumir, em 1977, ele me chamou e mandou preparar a construção do trecho de serra da Mogi-Bertioga. Para fazer o asfalto, recebemos o repasse do então governador Paulo Maluf", acrescentou.
De volta como presidente de uma autarquia ligada à Prefeitura de Mogi, o engenheiro cuidou da construção da via Perimetral. "O Plano Diretor já falava do anel viário. Quando entramos no terceiro mandato, a ideia era atacar essa obra, pois as pessoas que vinham pela Mogi-Dutra tinham que atravessar o centro de Mogi para pegar a Mogi-Bertioga", ressaltou.
A terceira e quarta gestão de Costa Filho foram dedicadas para a construção da via Perimetral, bem como o viaduto Professor Argêu Batalha, em Brás Cubas. Hallage ainda permaneceu na primeira gestão do ex-prefeito Junji Abe.
Para Hallage, Mogi tem potencial para continuar crescendo, mas é necessário investir em um novo plano viário. "Mogi estava fechada e foi aberta para o desenvolvimento, que foi muito grande. Infelizmente, hoje a cidade carece de um sistema viário, principalmente no centro, que está simplesmente caótico. Analisando todas as administrações desse século, nenhuma fez nada na região central. O número de veículos só dobrou", avaliou.
Entre as obras que o engenheiro sugere para a cidade está o prolongamento da rua Gaspar Conqueiro, como forma de desafogar a rua Ipiranga. Hallage também afirma que a alça de acesso do viaduto Argêu Batalha, em direção a Jundiapeba, precisa ser construída.