"A grande motivação foi a falta de atendimento aos idosos, sobretudo aos carentes. Acreditávamos que era preciso nos unir para dar oportunidade para que estas pessoas fossem amparadas, porque, quando um cidadão com idade avançada ficava sozinho, não tinha quem o amparasse". É com essas palavras que o padre Vicente Morlini relembra o surgimento do Instituto Pró Vida São Sebastião. Fundada em 16 de setembro de 1977, a entidade completa neste mês 40 anos de existência.
"Inicialmente, começamos com o atendimento domiciliar. Visitávamos e atendíamos idosos em suas próprias residências. Chegamos a ter mais de 20 assistidos", contou.
Durante as quatro décadas, foram muitas as transformações e conquistas. Algumas internas, como o atendimento centralizado em casas, em Mogi, São Paulo e Caraguatatuba, e outras relacionadas à políticas públicas voltada para a terceira idade. Entre estas, destaca-se a formação do Estatuto do Idoso, o qual o padre participou ativamente da elaboração.
Atualmente o Instituto Pró Vida de Mogi das Cruzes atende 49 idosos em situações diversas, que vão desde abandono familiar e maus tratos, a questões relacionadas à pobreza extrema.
Dentre estes, 22 vivem na área conhecida como "Espaço". O local funciona como uma espécie de "clínica" e é destinado aos idosos com maior grau de dependência, como cadeirantes e acamados. Já os demais estão instalados na "Estância". O espaço é uma espécie de vila, formada por 12 casinhas. Tais estruturas contam apenas com quarto e banheiro, uma vez que a alimentação é feita de forma conjunta no refeitório. Todo o cardápio é feito por funcionários.
Além de moradia e toda assistência necessária para o bem estar dos idosos, a entidade oferece ainda atividades diversas como oficinas de artesanato e terapia ocupacional.
Entre os moradores da "vila" está a aposentada Maria Aparecida Neves , 85 anos, que desde 2000 é assistida pelo instituto. "Meu pai trabalhava no instituto há muito tempo atrás, mas ele não imaginava que um dia a filha dele viria para cá. Eu tinha marido e casa, mas ele me trocou por outra e eu fiquei sem ter para onde ir. Não tínhamos filhos. Desde então, aqui é tudo o que eu tenho", contou.
Há quatro anos, a estância também se tornou a casa do aposentado Paulo Roberto Lucas de Jesus, 71. "Eu morava sozinho em Brás Cubas. Um dia passei muito mal e fui parar no hospital. Quando tive alta, me trouxeram para cá. Gosto muito daqui", comentou.
Além de receber subvenção, a entidade é mantida com parte da aposentadoria dos idosos e doações. Isso porque, em média, o custeio mensal para cada idoso é de R$ 3 mil. Interessados em conhecer o trabalho do instituto podem entrar em contato por meio do telefone 4726-7736. Mais informações estão disponíveis no site ipvss.org.br.