Nos últimos dois anos, cerca de 4 mil postos de trabalho foram fechados pelo setor metalúrgico nos municípios de Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Guararema e Biritiba Mirim. Com o agravamento das crises política e econômica vivenciadas pelo País, o número de trabalhadores deste seguimento, que era de 12 mil em 2015, caiu para 8 mil, neste ano. Os dados são do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.
De acordo com o presidente da entidade, Miguel Torres, que visitou ontem a sede do Grupo Mogi News de Comunicação, neste momento, não há risco de novas demissões nas grandes indústrias da região. "Hoje, a maioria das empresas que têm porte mais elevado, já está com o quadro de colaboradores em sua reserva técnica. Se elas mandarem embora e ocorrer uma retomada, acaba sendo um prejuízo, porque são trabalhadores treinados. Então estão segurando, mas obviamente que quando não tiver mais como pagar elas vão demitir", disse.
Para evitar que isso ocorra e, até mesmo, possibilitar que as firmas voltem a contratar é necessário que o País retome o caminho do desenvolvimento. No entanto, isso só irá ocorrer quando os interesses políticos forem tratados de forma separada. "Não dá para deixar a economia parada por causa das questões políticas. O governo tem dinheiro para investir. Ele pode retomar as obras paradas e isso já geraria muitos empregos, em toda a cadeia, pois isso envolveria diversos setores. Seria o começo para girar essa engrenagem. Girando ela, começa-se a entrar dinheiro no mercado. Essa é a nossa luta", comentou.
O presidente informou ainda que, enquanto medidas efetivas não são adotadas por parte do governo, os representantes sindicais tentam buscar soluções para minimizar o problema.
Uma delas seria a Programa de Renovação da Frota, visto como a saída para os graves problemas causados com a retração econômica e consequente desemprego no setor. "Temos dados de que 30% da frota de caminhões no Brasil tem mais de 30 anos. Pelo menos 50% dos acidentes nas estradas envolvem veículos acima dessa faixa etária. Então, a renovação da frota seria benéfica em diversos aspectos e, principalmente, uma maneira de alavancar a produção e gerar empregos. Por isso, estamos retomando as negociações", concluiu.