A Secretaria de Saúde de Mogi divulgou um balanço em que chama a atenção da população para os atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Apenas em junho foram realizadas 58.458 consultas médicas nos serviços. De acordo com o secretário de Saúde Marcello Cusatis 70% destes atendimentos, ou seja, cerca de 40.920 consultas, poderiam ter sido agendadas na rede básica por não serem urgentes.
A Prefeitura quer estimular o agendamento de atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Programa da Saúde da Família (PSF). Para isso, o secretário solicitou a contratação de novos médicos. Segundo Cusatis, a cada mês a Secretaria de Saúde realiza cerca de 95 mil consultas, nas quais 60 mil de urgência e emergência, 25 mil na rede básica e 10 mil de especialidades. A estimativa é que as 300 mil pessoas do Sistema Único de Saúde (SUS) passem por cerca de quatro consultas por ano. "Obviamente temos pacientes de outras cidades e de pessoas que tem convênio, mas que preferem passar na rede pública. Se olharmos apenas o preconizado, a cada três meses a população inteira passa por atendimento", ressaltou.
Para Cusatis, uma das preocupações é com o absenteísmo na rede básica. Apenas em junho foram registradas 7 mil faltas nas consultas agendadas, ou seja, em torno de 20%. "Mogi tem 450 mil habitantes e sete Pronto Atendimentos sob gestão municipal, sem contar o Luzia de Pinho Melo. Estamos além do que qualquer portaria recomenda. Vamos focar em direcionar os pacientes para as UBSs, mas obviamente pedimos ao prefeito o reforço na contratação de pediatras, ginecologistas e clínicos gerais. Mas não adianta fazer esse esforço se as pessoas faltarem", destacou.
O balanço divulgado pela Prefeitura mostra que em junho a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Oropó fez 6.854 atendimentos e transferiu 0,65% dos casos. A UPA do Rodeio realizou 9.476 consultas e transferiu 0,44% dos pacientes. O Pró-Criança atendeu 7.376 pessoas e a taxa de transferência foi de 1,44%. Já a UBS do Jardim Universo realizou 7.593 atendimentos e contou com 0,21% transferência. A UBS de Jundiapeba atendeu 9.199 pacientes e transferiu 0,40% dos casos.
Segundo o secretário, as unidades de Pronto Atendimento tem cumprindo seu papel no pacto hospitalar criado pela administração municipal. "Elas estão evitando a sobrecarga nos hospitais, mas quando precisamos, temos que ter vagas na rede hospitalar de referência. Começamos a ter muita dificuldade em utilizar a Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) para conseguir a transferência dos pacientes que realmente precisam. Estamos abaixo de qualquer local, mas precisamos imediatamente das vagas quando pedimos", acrescentou.
Aperto de cintos
O prefeito Marcus Melo (PSDB) afirmou que a Prefeitura está "apertando ainda mais os cintos" para garantir que as contas fechem no azul no fim do ano. "Tenho pedido aos secretários e a todos os administradores uma atenção muito forte com relação à economia. O desafio é manter os serviços funcionando com a diminuição da arrecadação. Pedi aos secretários que comprem apenas o que for essencial para que os serviços não tenham descontinuidade, sempre com foco principal na saúde e na educação", destacou.
Melo informou que a estimativa é que o déficit orçamentário seja de R$ 102 milhões, mas na próxima semana uma nova previsão deve ser divulgada.