Dentro de barracas improvisadas com papelão e plástico, deitados em bancos de praças ou mesmo nas calçadas. Estas são as condições de dezenas de pessoas em situações de rua espalhadas em diferentes pontos da área central de Mogi das Cruzes. Alguns se isolam e, muitas vezes, são vistos com compaixão por quem passa nas ruas. Outros, no entanto, são intimidadores. Aparentemente sob o efeito de álcool ou outras drogas, abordam pedestres em busca de dinheiro ou adentram nos estabelecimentos comerciais, assustando a clientela.
Na "disputa por território" ou por algum item recém-adquirido, como garrafas de bebidas, por exemplo, brigam entre si, trocam xingamentos, usam palavras de baixo calão, ou mesmo partem para a agressão, levando medo a quem transita pelo local.
Tais cenas são vistas com frequência, principalmente em alguns pontos, onde a existência deste público já é comum. É o caso de um galpão localizado na avenida Francisco Rodrigues Filho, no Mogilar. A reportagem passou pelo local na manhã de ontem e constatou a presença de pelo menos quatro pessoas abrigadas embaixo da marquise, divindo espaço com pombos e pilhas de materiais recicláveis. Segundo relatos de comerciantes locais (veja mais nesta página), o odor forte sentido por quem passa pela via é decorrente de urina e fezes. Isso porque, apesar da Prefeitura realizar a limpeza da área com frequência, os moradores de rua sempre retornam.
Situação semelhante é encontrada no Largo Bom Jesus, também conhecido como praça de São Benedito, onde o coreto serve de refúgio e também como "depósito" de pertences. Ontem, alguns dos bancos eram ocupados por dezenas de cobertores, enquanto outros serviam como ponto para o consumo de bebidas alcóolicas.
Já no largo 1º de setembro, os atrativos são as barraquinhas de lanches, assim como as lanchonetes e demais estabelecimentos onde há a comercialização de comidas e bebidas. Basta se sentar para fazer um pedido que logo surge alguém pedindo ajuda para se alimentar.
Devido à generosidade da população ou dos comerciantes, muitos dos moradores de rua já adotaram a praça como "endereço fixo" e são figuras bastante conhecidas na região. Mas, nos últimos tempos, o número de novos rostos vem aumentando, o que também acaba trazendo insegurança.