Os pequenos estabelecimentos varejistas de Mogi das Cruzes têm se destacado na geração de empregos formais. O resultado positivo se manteve no acumulado de 12 meses até junho. Nesse intervalo, o varejo de Mogi perdeu 383 postos de trabalho formal, enquanto que os estabelecimentos com até quatro empregados criaram 408 novos vínculos trabalhistas formais. Ao longo do primeiro semestre deste ano, estabelecimentos com até quatro funcionários geraram 182 vagas. O cenário é bem diferente daqueles com cinco colaboradores ou mais, que perderam 597 postos de trabalho. Da mesma forma, o varejo mogiano de modo geral teve um saldo negativo de 415 vagas ao longo do mesmo período.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram apresentados ontem durante a reunião mensal da Coordenadoria Sindical Leste da FecomercioSP, realizada na sede do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Mogi das Cruzes.
Ainda segundo o estudo, somente no mês de junho, estas pequenas empresas obtiveram um saldo positivo de 26 empregos criados. O desempenho é bem melhor do que o total do comércio varejista que encerrou o período com o fechamento de 57 vagas.
De acordo com o assessor econômico da FecomercioSP, Jaime Vasconcellos, estes pequenos estabelecimentos têm se destacado entre os demais do varejo por três principais fatores. "O primeiro é a estabilidade. O pequeno estabelecimento já é mais estável, porque, naturalmente, quanto menor a empresa, menor a sua capacidade de reduzir trabalhadores. O segundo fator é o aumento de micro e pequenas empresas, pois os cidadãos que perderam seus empregos estão partindo para o empreendedorismo. Por fim, o terceiro motivo está no próprio DNA do pequeno varejo. A maior parte destes estabelecimentos encontra-se em bairros. Então, essa proximidade com seus clientes contribui para a manutenção do negócio", comentou.
Vasconcellos comentou ainda sobre a importância destes resultados positivos para o cenário geral do comércio na cidade. "Os dados ainda estão negativos, os últimos anos têm sido muito difíceis, porém, esse contraponto das pequenas empresas ameniza um saldo que poderia ser ainda pior", comentou.
Segundo o presidente do Sincomércio de Mogi das Cruzes e Região, Valterli Martinez, é justamente por isso que a entidade vem trabalhando para dar condições para que estes estabelecimentos continuem prosperando. "Por meio de um trabalho do Sincomercio e de várias parcerias firmadas, estamos batalhando para que este público tenha as mesmas vantagens e assistências que as grandes empresas. Nós queremos e é necessário que eles tenham as mesmas estruturas. Muitos destes pequenos comércios estão ainda iniciando suas atividades, então é nosso dever fortalecê-los com conhecimento, assistência, e o que mais tiver ao nosso alcance", comentou.
Ecônomia
Segundo Vasconcellos, após a crise, o comércio deve dar sinais mais efetivos de reação neste segundo semestre. Uma melhora efetiva deve ocorrer em, no mínimo, três anos. "O faturamento se mostra positivo, por mais que sejam comparados a uma base muito fraca porque o ano passado foi muito ruim. A reação se inicia já neste semestre, mas infelizmente a crise política tem o poder de retardar esse processo", concluiu.