Em outubro de 2013 uma tragédia mudou para sempre a vida de uma família residente no Quatinga, em Mogi das Cruzes. Edilson Pereira dos Santos, hoje com 49 anos, e a esposa Marta Janete da Silva Santos, 52, perderam a filha Keila Jane dos Santos, na época com 23 anos, assassinada brutalmente a facadas pelo marido Ednilson Toledo Castilho, de quem estava se separando. A jovem, que trabalhava como atendente de telemarketing na empresa Tivit, foi golpeada diversas vezes pelo homem na frente de dois dos três filhos do casal, Samuel, na ocasião com 7 anos, e Higor, de 8 meses. 
De repente, o curso natural da vida se inverteu, e Santos teve que encarar a mudança do status de avô para pai das crianças. "Eu trabalhava em uma fábrica naquele ano e, diante da perda da minha filha, que cuidava dos três - pois ainda tinha a Sunamita, que estava com 3 anos -, precisei largar o emprego para ajudar minha mulher a cuidar deles, porque ela entrou em depressão, ficou muito abalada", recorda-se.
Dando apoio e carinho aos netos (o assassino foi preso pouco depois e condenado a 21 anos de reclusão), Santos relembrou a paternidade no dia a dia com os dois garotos e a menina. "Houve uma época em que me divorciei e fiquei um pouco afastado da Keila e do meu outro filho, que atualmente tem 24 anos. Foi a minha filha que me reaproximou da minha esposa e a gente acabou voltando e casando de novo, ou seja, casei duas vezes com a mesma mulher", descreve. "Então, quando tudo isso aconteceu, entendi que Deus me deu uma segunda chance de consertar o que fiz no passado. E por isso, hoje, eu faço de tudo pela felicidades dessas três crianças. Não posso dar tudo o que eles querem, mas dou o que é possível".
Santos conta que a Tivit o ajudou, dando-lhe um emprego na área de limpeza, que tem sido a maior fonte de renda no sustento da família. "Sou muito grato porque se não fosse esse emprego que foi oferecido a mim, não sei o que seria da minha família. Recebo um benefício da minha filha no INSS no valor de R$ 985, mais meu salário de
R$ 1.014, e minha esposa não trabalha porque tem que tomar conta dos três pequenos. Não tenho muitas condições de oferecer lazer ou outras coisas materiais que eles pedem, mas se eu tivesse que ficar mais uns 50 anos trabalhando como auxiliar de limpeza para sustentá-los, eu trabalharia", garante.
Ele, que na última sexta-feira foi um dos homenageados na festinha de Dia dos Pais na escola onde estudam os "filhos-netos", diz que a saudade da filha e a dor pela morte dela ainda são grandes, mas que busca forças para continuar a criar os filhos dela como se fossem seus. "Tive de aprender tudo de novo, como se eu tivesse casado agora e tido três filhos pequenos. Vou do trabalho para casa, compro roupas para eles e levo passear quando dá. Mas me sinto muito contente, porque trouxeram uma animação total na minha vida. A minha recompensa com Deus são esses três", acredita.