Com o fechamento da passagem de nível da rua Doutor Deodato Wertheimer, algumas lojas já começaram a baixar as portas. Em menos de uma semana de bloqueio, uma loja de sapatos já anunciou o encerramento das atividades, enquanto uma barraca de salgados só abriu dois dias na semana.
O comerciante Wagner Delmiro Pereira, de 39 anos, empacotou as mercadorias na manhã de ontem. Ele está há um ano no ponto da rua Doutor Deodato Wertheimer e informou que o movimento caiu drasticamente. "Investi cerca de R$ 70 mil para reformar o espaço, montar a loja e comprar as mercadorias. Tenho um ponto em Itaquaquecetuba e por enquanto vou para lá. Agora que o movimento estava melhorando resolveram tomar esta atitude. É um balde de água fria", destacou.
O comerciante Antonio Carlos da Silva, 57, abriu apenas dois dias nesta semana e mesmo assim amargou prejuízo. Ele tem uma banca de salgados ao lado da linha férrea e sua maior clientela é formada por pedestres. "Tive que jogar muita comida fora. Na segunda e terça-feira, calculo que tive um prejuízo aproximado de
R$ 3 mil, pois ninguém passou. O comércio está aberto há sete anos, tenho funcionário. Preciso saber como vai ficar, pois, se não resolver, tenho que buscar outro ponto", ressaltou.
A comerciante Mara Rodrigues, 53, estimou uma queda de 30% na clientela com o fechamento da passagem. "Meu salão funciona há 15 anos. Primeiro informaram que o trecho ficaria fechado por 20 dias, mas depois ficamos sabendo que seria de forma permanente. Deviam abrir para as pessoas", disse.
Não são apenas os comerciantes que ficam entre a rua Doutor Ricardo Vilela e a linha férrea que criticam o bloqueio da cancela, mas os lojistas do lado oposto da passagem de nível. O comerciante Jairo Honorio Pereira, 49, informou que o movimento no Mogi Plaza também caiu desde o fechamento do trecho. "Já sentimos a queda. É preciso revitalizar toda esta região, dar prioridade aos pedestres. A Prefeitura poderia transformar este trecho em um calçadão", acrescentou.
Mobilidade
O reciclador Benedito Carlos Espinola, 54, afirmou que desde o fechamento da passagem de nível está com dificuldade para transportar os materiais recicláveis que coleta nas lojas do centro. "Antes passávamos com o carrinho pela linha, pois a passagem da praça Sacadura Cabral não tem a guia rebaixada, mas desde que fecharam, temos que passar por lá. Está muito ruim", informou.
O secretário de Transportes, Eduardo Rangel, informou que a Prefeitura fará uma rampa de concreto na passagem da praça Sacadura Cabral para dar acesso aos carrinhos. Segundo a administração municipal, as obras foram iniciadas ontem.