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O fechamento da passagem de nível da rua Doutor Deodato Wertheimer dividiu opiniões de motoristas que circulam pela área central de Mogi das Cruzes. Enquanto alguns avaliaram como vantajosa a travessia da linha férrea por meio da passagem subterrânea da antiga praça Sacadura Cabral, outros estão receosos sobre a quantidade de fluxo suportada pelo túnel.
Conforme já noticiado pelo Grupo Mogi News, mesmo seis meses após a passagem subterrânea ter sido inaugurada, a maior parte dos condutores continuava preferindo aguardar na cancela para chegar ao outro lado. Essa realidade, no entanto, mudou anteontem, quando a Prefeitura interditou a rua Doutor Deodato Wertheimer no trecho compreendido entre os trilhos e a rua Doutor Ricardo Vilela para execução de obras pela Secretaria de Serviços Urbanos e o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae). De acordo com a administração municipal, o trecho em questão será liberado em 20 dias para que os veículos continuem acessando a rua Navajas. A passagem de nível, no entanto, continuará fechada.
A medida que, segundo a Prefeitura, deverá trazer benefícios para a operação da linha férrea, que é feita pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), não agradou o empresário Raphael Feal, de 33 anos. Para ele, a estratégia adotada irá trazer mais prejuízos do que vantagens. "Achei que essa interdição ficou muito ruim. A rua ficou praticamente morta. Isso precisa ser repensado", disse.
Opinião semelhante é compartilhada pelo pedreiro Expedito Dionísio Ramos, de 63 anos, que ressaltou que o impacto da alteração vai muito além do trânsito. "Eu não utilizava a passagem de nível, mas acho que a gente precisa olhar também para os outros. Os comerciantes estão perdendo vendas, logo fecham ou demitem funcionários. Ou seja, muita gente vai ser prejudicada. Podiam ter deixado como estava", comentou.
Já o taxista Joaquim Costa, de 73 anos, ressaltou que, para a categoria, a alteração não irá impactar. "Eu e outros colegas já usávamos o túnel porque por ele é mais fácil atravessar a linha férrea. Então não vejo diferença no que foi feito", comentou.
O também taxista Darci Ramos, 65, por sua vez, destacou as vantagens de se utilizar a passagem subterrânea. "Antes perdíamos muito tempo esperando o trem passar. Quando eram os cargueiros então, os passageiros ficavam bravos. Então para nós o fechamento da cancela não faz diferença", contou.
Para o motorista Rodrigo Viana, de 33 anos, a principal preocupação é se a passagem subterrânea irá comportar o número de carros. "Desde que inauguraram o túnel eu já o utilizo e nunca tive problemas. A questão agora é se ele terá capacidade para tanta demanda, pois não haverá mais opção de ir para outro lugar", comentou.
E é justamente dessa ausência de alternativas que reclama o projetista Marcos Vinicius, de 33 anos. "O túnel veio pra melhorar o trânsito e dar mais opções de rota para o motorista. Agora não adianta nada a Prefeitura abrir um caminho e fechar outro. Só estarão transferindo o problema de lugar", opinou.