Comerciantes comemoraram ontem a reabertura da passagem de nível da rua Doutor Deodato Wertheimer, na área central de Mogi das Cruzes. Durante a interdição, que durou nove dias, alguns estabelecimentos registraram queda de até 90% no movimento. Em outros, foi necessário o fechamento temporário por falta de clientes.
Para Antônio Carlos da Silva, de 57 anos, proprietário de um quiosque de salgados instalado à beira da linha férrea, o desbloqueio da passagem marcou também a reabertura de seu comércio. Isso porque, devido à ausência de pedestres no local, a loja permaneceu fechada durante toda a última semana. O prejuízo estimado é de R$ 5 mil.
"Eu abri as portas nos dois primeiros dias, mas não vendi nada e todos os produtos estragaram. Então decidi fechar. Apesar de não ter trabalhado, terei que pagar funcionário, o aluguel e também os produtos perdidos. É um alívio a Prefeitura ter mudado de ideia, pois uma decisão dessas não pode ser tomada sem aviso prévio", disse.
Opinião semelhante é compartilhada pelo gerente Carlos Eduardo Gonçalves Pereira, 38, que atua em uma loja de móveis recém-instalada na via. "O movimento caiu 90%. Com a reabertura já sentimentos uma melhor. O prefeito já sinalizou que futuramente pode ser que feche de forma definitiva, mas aí é diferente. O problema é não nos comunicar antes, não termos nenhuma informação", reclamou.
A mesma sensação teve a cabeleireira Lourdes Aparecida, de 61 anos. Em seu salão, o número de atendimentos caiu cerca de 30%. "Eu conto com clientes fixos, mas também fui prejudicada porque o público que passava na porta e entrava procurando serviços, se extinguiu. Estou aliviada em ver esse movimento retornando", comentou.
Bem mais otimistas em relação às vendas estava o comerciante Lauro Hasokawa, 64, que viu o movimento em sua bomboniere aumentar significativamente já nas primeiras horas após a desinterdição da passagem. "Como não tinha pedestre, a clientela caiu cerca de 40%. Ainda bem que voltaram atrás. Espero que se um dia decidirem fechar de novo, liberem pelo menos o trânsito de pessoas", ressaltou.
Já para o atendente Carlos Henrique Tavares da Silva, 33, o ideal é que o trânsito local permaneça como está. "Nestes últimos dias a quantidade de clientes caiu pela metade. Esperamos que agora permaneça aberto", concluiu.