São 50 anos na imprensa automotiva. "Sempre fiz duas, três coisas ao mesmo tempo. Minha estratégia é não colocar todos os ovos em um cesto", conta o jornalista Fernando Calmon. Nascido em Fortaleza (CE), em 25 de outubro de 1946, foi criado no Rio de Janeiro, onde se formou em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a faculdade, em 1967, começou no jornalismo ao lado de Álvaro Costa Filho com o programa Grand Prix, um dos primeiros sobre automobilismo, exibido pela Rede Tupi de Televisão. Em 1976, mudou-se para São Paulo. Ora em revistas especializadas, ora em veículos de comunicação de interesse geral, e principalmente, com a criação da coluna Alta Roda, seu desafio tem sido abordar os diferentes aspectos do universo automotivo em uma linguagem acessível. O trabalho como colunista, que começou oficialmente em 1º de maio de 1999 em oito jornais, se estendeu para 12, e hoje chega a mais de 90 órgãos da mídia impressa e digital. O Mogi News, inclusive, foi um dos primeiros jornais a publicar a coluna. Depois de dois anos no ranking dos cem jornalistas Admirados, realizado pelo Portal dos Jornalistas, em 2015, foi eleito o Admirado da Imprensa Automotiva. Ontem, dia 19 de agosto, Calmon completou cinco décadas de jornalismo, que serão comemorados na noite desta segunda-feira, por meio de uma iniciativa do segmento de Imprensa Automotiva do portal Jornalistas & Cia, em São Paulo. Aos 70 anos, Calmon comanda a revista Top Carros, da editora Todas as Culturas, voltada para o segmento de automóveis premium. Saiba mais sobre a carreira e os projetos deste admirável jornalista nesta entrevista exclusiva.
Mogi News: Como foi seu início na imprensa automotiva?
Fernando Calmon: Comecei justamente pelo automobilismo pois gostava muito de corridas. Na época eram poucos os programas de automobilismo, e em 19 de agosto de 1967, planejei com o Álvaro Costa Filho, o programa Grand Prix. Foi o primeiro programa do segmento no Rio de Janeiro. Em 1968, comecei a escrever no Jornal do Commercio, também no Rio, e depois na revista Cruzeiro até 1975. Mudei para São Paulo no ano seguinte e me tornei redator-chefe da revista Auto Esporte. Me formei em Engenharia mas nunca exerci. Desde os 20 anos estou no jornalismo. Eu me tornei jornalista aprendendo com os outros, existiam poucas escolas na época.
MN: Como desenvolveu o seu trabalho?
Calmon: Sempre fazendo duas, três coisas aos mesmo tempo. Nunca fiquei só com uma atividade. Minha estratégia é não colocar todos os ovos em um cesto. Tenho uma longa experiência em todas as mídias, a maior parte em revistas. Trabalhei na Cruzeiro, na Manchete, sempre falando de automóveis. Era muito desafiante escrever sobre um tema especializado em uma revista de interesse geral. Meu desafio, minha filosofia de trabalho sempre foi ser o mais claro possível.
MN: E quando surgiu a coluna Alta Roda?
Calmon: Depois da minha segunda passagem pela revista Auto Esporte, em 1997, eu saí. Você vai crescendo na profissão e quer abrir espaço para os mais jovens. Bolei a coluna semanal focada especificamente em automóveis, mas ela só começou a ser publicada em 1º de maio de 1999. Daqui um ano e meio serão 20 anos. Entre 1994 e 1995, depois da morte do Ayrton Senna, deixei a cobertura do automobilismo. E uma coincidência histórica, em 1990, foi liberada a importação de veículos, que até então era um mercado fechado. O Brasil chegou a ter 45 marcas. Não dava mais para cobrir os dois setores. Um dos primeiros clientes da coluna foi o jornal Mogi News. Comecei com oito jornais espalhados pelo Brasil, passou para 12, e hoje são mais de 90 órgãos que reproduzem a coluna, quase dois terços de mídia digital.
MN: Quais os diferenciais da coluna e do segmento automotivo?
Calmon: Sempre trabalhei sozinho. O que tenho feito é diversificar os assuntos da coluna como legislação, tecnologia e lançamentos de carros. É um mundo muito vasto; há ainda as alternativas de mobilidade urbana, segurança rodoviária, um leque muito grande. O setor automotivo é muito diversificado e atrai leitores e pessoas que querem escrever sobre o assunto, por isso é um dos mais competitivos. É o setor industrial com mais pessoas acompanhando e escrevendo sobre ele, dentro do grande chapéu que é a economia. No Brasil e em países com indústria automobilística instalada, o setor responde por 5% do PIB (Produto Interno Bruto).
MN: E a revista Top Carros?
Calmon: Comecei em 2014. A revista é quadrimestral e tem um nicho específico: carros premium. O projeto foi idealizado por mim e surgiu depois de uma conversa com a editora Todas as Culturas, que já tinha os títulos Top Magazine e Top Destinos. Conheci o trabalho deles em um evento e sugeri fazer uma revista sobre carros. Hoje estou tocando junto com a coluna.
MN: Você completou 50 anos de carreira. Quais são seus projetos?
Calmon: Percorri todos os caminhos possíveis. Comecei do básico, aprendendo como era o jornalismo com meu parceiro Álvaro Costa Filho do programa Grand Prix. Ele me ensinou a técnica, e com persistência fui seguindo. É o que vale já que passamos por inúmeras crises. Além da revista e da coluna, sou correspondente do site britânico de automóveis Just-Auto, para o qual escrevo há mais de dez anos. Faço em média quatro textos por mês sobre o que acontece no Brasil. Sou um dos correspondentes mais ativos. Acho que é meu dever como jornalista divulgar o meu país. Ainda faço uns freelas se alguém pede. Quero trabalhar enquanto tiver discernimento. Sempre trabalhei muito e com mais de uma atividade. Aposentadoria não aparece no meu horizonte.