Diante da falta de correção nos repasses feitos pelo Ministério da Saúde ao Instituto de Nefrologia de Suzano e Mogi das Cruzes, que pode levar ao fechamento da unidade suzanense, os vereadores das cidades de Itaquaquecetuba, Cesar Diniz de Souza (PT do B), o Cesinha da Associação, e Élio de Araújo (PT do B), o Elinho, e o vereador poaense Willian Ferrari (PDT), o Neno Ferrari, se uniram contra o fechamento do Instituto. A reunião ocorreu anteontem no Legislativo itaquaquecetubense.
A luta é válida já que hoje a unidade suzanense atende 251 pessoas, enquanto Mogi conta com 301 pacientes. A média de atendimentos varia mensalmente, isso porque há realização de transplantes de rins, recuperação do órgão ou falecimentos.
As duas unidades juntas atendem a maior parte dos pacientes que sofrem de doença renal nas 10 cidades da região do Alto Tietê, a única diferença entre elas é que Mogi atende também consultas particulares. O Instituto de Nefrologia é privado, mas atende o Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de convênio.
O vereador Cesinha da Associação salienta que o valor repassado para o Instituto de Nefrologia já não é suficiente. "A informação passada pela mídia é de que o repasse da União seja de R$ 194 por paciente, mas a sessão de diálise custa ao Instituto R$ 278. O valor reposto pelas unidades pode parecer irrisório, R$ 84 por paciente, mas os prejuízos são grandes quando se compara ao número de sessões, cerca de 13 por mês", destacou Cesinha da Associação.
De acordo com o vereador Neno Ferrari, a medida é necessária uma vez que houve queda no repasse à unidade. "De 2010 a 2017, o Ministério deu 23,4% de reajuste ao setor, enquanto a inflação subiu 53,29%. Segundo a direção das clínicas, os gastos para manter a qualidade do serviço não acompanham o montante enviado pela União, por isso decidimos nos unir por essa nobre causa e que coloca a vida de muitas pessoas em risco", disse Neno Ferrari.
Já o vereador Elinho colocou-se à disposição para tentar reverter a situação. "Não podemos permitir que o Instituto seja fechado. Estamos falando de vidas, de pessoas que dependem desse serviço para tratamento. Iremos em busca de auxílio em outras esferas. Não aceitaremos essa medida", concluiu.
A reunião contou com a presença de pacientes das cidades de Itaquá, Poá, Ferraz e Suzano e que fazem acompanhamento na unidade.
O grupo definiu que será realizada uma ação em conjunto com todas as Câmaras do Alto Tietê. Cada cidade deverá encaminhar um requerimento ao governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), solicitando mais informações sobre o motivo do corte de verbas e fechamento da unidade suzanense. Feito isto, um relatório geral representando todas as cidades da região deverá ser redigido e protocolado em nível estadual e federal, se necessário, a fim de pedir providências e a manutenção do serviço.