Uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo do último domingo informava que as pequenas livrarias estão voltando à tona na Europa e nos Estados Unidos. De acordo com a matéria, as megalojas de livros já não dominam tanto o mercado como antigamente. Com isso, lojinhas simples, mas bem cuidadas, têm caído no gosto dos leitores, que encontram nelas não só um lugar para comprar livros como também para conhecer pessoas e debater assuntos interessantes.
Engraçado que, apesar do fenômeno ter sido constatado lá na Europa, aqui na região vemos algo parecido acontecendo. Em Mogi das Cruzes temos a Livraria Boigy, onde os clientes encontram um local interessante, em que a compra de um exemplar é apenas consequência de um bom bate-papo, uma conversa intelectual ou até mesmo a apresentação de um artista ao violão, enquanto as pessoas vasculham as prateleiras em busca de uma leitura agradável.
Aliás, Mogi sempre foi uma cidade de livrarias e sebos pequenos, onde as pessoas se encontram para falar sobre músicas, literatura e arte em geral. Infelizmente, muitas já fecharam as portas, enquanto outras ainda respiram por aparelhos. No entanto, os dias atuais mostram que há espaço para esse tipo de negócio.
Em Suzano, o Beco do Livro é outra loja heroica que sobrevive graças à paixão das pessoas pela leitura. Ela fica em uma travessa da rua Benjamin Constant, na região central, e apesar de tanta tecnologia, está lá há muitos anos propiciando troca de informações e cultura da melhor qualidade para a população do município.
A tendência é que, cada vez mais, os apreciadores de uma boa leitura prefiram lugares aconchegantes, independentemente do tamanho, para adquirir seus exemplares e conhecimentos sobre história, cultura e ficção.
Os dias atuais mostram que os jovens já não se interessam tanto por livros e revistas, mas da mesma forma que outros produtos que já foram tachados de acabados, é possível um ressurgimento dessa mídia impressa. Uma porque a Internet ainda não consegue superar sentimentos e sensações que os livros e revistas oferecem; outra porque o fato de termos um produto nas mãos, e não no mundo virtual, nos faz mais vivos.
Sobre a tendência anunciada na Europa, as lojas da nossa região e a tecnologia, esperamos que a cultura sempre mantenha seu espaço por aqui, até porque um povo com bagagem cultural tem maiores e melhores condições de atingir seus objetivos, seja na política ou na vida de cada um.