"Não tenha medo do que as pessoas irão dizer ou pensar. Você pode ser e fazer o que quiser. Desde que as suas escolhas não prejudiquem ninguém, e nem a si mesma". À primeira vista, a mensagem parece ser apenas uma citação de efeito, daquelas comumente vistas em redes sociais, acompanhadas de imagens bonitas e coloridas. Na verdade, trata-se de uma frase proferida inúmeras vezes pelos pais da mogiana Josiane de Souza Amaral Marcelino da Silva, que, desde criança, teve todo o apoio da família para seguir a profissão que quisesse, mesmo que o oficio não fosse considerado "coisa de mulher". E, para ela, isso fez toda a diferença.
Hoje, aos 45 anos de idade, Josiane atua como operadora de rede do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) de Mogi das Cruzes e se destaca em sua área de atuação, não apenas por exercer uma função predominantemente masculina, mas principalmente pela qualidade e a dedicação com que executa os serviços.
Segundo a 'encanadora', o interesse por atividades que fugiam do universo feminino surgiu na infância, com o intuito de ajudar no sustento familiar. "Meu pai era pedreiro, então, eu me acostumei a 'pegar no pesado' desde sempre. Quando era pequena, ajudava mexendo uma massa, jogando tijolo, e, com isso, acabei gostando do serviço. Também trabalhei na roça, fui caseira, cobradora de ônibus, e, sempre, eram profissões consideradas 'para homens'", contou a encanadora.
Apesar da ingressão de mulheres em cargos geralmente ocupados por homens estar se tornando cada vez mais comum, o preconceito ainda é uma realidade. Mas, para a funcionária pública, o que para muitas é visto como uma "barreira", para ela é um "incentivo". "Aqui no Semae eu fui bem aceita pela equipe desde que cheguei. Aliás, sempre tive muito apoio dos companheiros de trabalho. E vejo isso como resultado da minha dedicação. Acho que quando você se propõe a fazer algo, e faz com qualidade e empenho, não haverá espaço para críticas. Então, não vai importar se você é homem ou mulher, desde que, ao pedir direitos iguais, você também cumpra com os seus deveres da mesma forma", comentou.
E, apesar de passar oito horas por dia usando macacão e 'pegando no pesado', fora do expediente a rotina de Josiene é como a de qualquer outra mulher batalhadora. "Eu sou casada e mãe de três filhos, de 25, 22 e 5 anos. Então, na maior parte do tempo, eu cuido da casa e da família. Já o meu lazer é passear com eles, assistir a alguns filmes, ler, ir ao shopping", concluiu.