Um relatório técnico lançado ontem pela Fundação SOS Mata Atlântica no Fórum Brasil de Gestão Ambiental, em Campinas (SP), inclui Mogi das Cruzes como um dos municípios que possui uma Unidade de Conservação Municipal da Mata Atlântica. Trata-se do primeiro trabalho feito no País sobre essas áreas protegidas nas cidades, identificando que há mais de mil Unidades de Conservação (UCs) municipais na Mata Atlântica e nos ambientes costeiros e marinhos, sendo que as análises se concentraram em 934 UCs municipais, já que 153 possuem lacunas de informação.
Segundo a assessoria de imprensa da fundação, não significa, entretanto, que na região do Alto Tietê somente em Mogi haja Mata Atlântica, pois em outros municípios há porções da mata em determinados territórios. Representa apenas que em Mogi foi identificada uma Unidade de Conservação, cuja "categoria de manejo" foi classificada como Parque Natural intitulado "Francisco Affonso de Mello ou Chiquinho Veríssimo", criada em 1970 e com 352,30 hectares.
Vale lembrar que a Serra do Itapeti, em agosto do ano passado, também foi mapeada por pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) para identificação de pontos de atividades sustentáveis e trechos de interesse turístico. O trabalho fez parte do projeto "Caminhos do Itapeti - Práticas ambientais sustentáveis encontradas na Serra do Itapeti", que venceu uma concorrência da Fundação SOS Mata Atlântica. A ideia foi criar um roteiro turístico pelas propriedades e áreas que existem no entorno do Parque Natural Municipal "Chiquinho Veríssimo", conhecidas como zona de amortecimento.
Sistemática
As Unidades de Conservação (UCs) analisadas pelo levantamento da SOS Mata Atlântica estão distribuídas em 428 municípios, que equivalem a pouco mais de 3 milhões de hectares. Da amostra total, 914 UCs estão em áreas da Mata Atlântica e ecossistemas associados (2,8 milhões de hectares) e 20 estão em áreas marinhas (132,3 mil hectares). Até esta etapa da análise, realizada entre fevereiro de 2015 e março de 2017, o estudo investigou 559 municípios da Mata Atlântica.
Foram consideradas as UCs em conformidade com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), além daquelas com proteção oficial e características similares a alguma categoria de manejo, embora, por algum motivo, ainda não tenham sido adequadas ao SNUC.
"As Unidades de Conservação municipais têm um papel muito importante para conservar a biodiversidade e prover serviços ambientais essenciais para a sociedade, como água em quantidade e qualidade e a manutenção do nosso microclima. Há um potencial enorme para fortalecimento da atuação local e, por este motivo, essa agenda é uma nova prioridade institucional", afirma Marcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica.
O levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica indica seis fatores principais que motivam a criação de UCs municipais pelas Prefeituras: proteção de remanescentes da vegetação nativa e da paisagem natural; uso público para lazer, recreação e ecoturismo; educação ambiental; pesquisa sobre a biodiversidade; proteção de espécies raras, endêmicas e ameaçadas de fauna e de flora e proteção de recursos hídricos.