Viajar pelo mundo não apenas para conhecer a sua cultura, história, costumes e tradições, mas também para compartilhar experiências, dividir conhecimentos, semear o bem e levar esperança, em especial, para povos que vivem em regiões em conflito. Foi com este propósito que o economista, teólogo e educador Everton Ricardo Lopes Ribeiro decidiu deixar de lado a sua carreira corporativa.
Há 15 anos, ele se dedica a uma nova missão, a de desenvolver projetos sociais, educativos e culturais em países que se encontram em situações alarmantes, no geral, por conta de conflitos religiosos, a fim de proporcionar novos caminhos, em especial, às crianças. Nessas localidades, ele desenvolve ações que mostram que ainda é possível acreditar, mesmo em meio às adversidades, numa vida melhor, tanto do ponto de vista social e físico quanto espiritual.
Natural de Americana, no interior de São Paulo, mas residente há alguns anos em Mogi das Cruzes, Everton atua na Organização Não Governamental (ONG) AME, que segue o seguinte lema: "Influenciando pessoas. Gerando Vidas". E é por meio dela que, aos seus 36 anos de idade, ele já pôde realizar a sua missão em 35 países. Everton conta que começou a ingressar nestas atividades quando sentiu a necessidade de buscar um novo propósito à sua vida.
"Eu sempre quis viajar, mas precisava de algo a mais, e posso dizer que encontrei a minha vocação. Eu não queria apenas respirar, mas sim ter uma razão para viver. E, hoje, já são 15 anos dedicados a essa missão. Não é fácil viver viajando de um país a outro, mas este é o meu propósito de vida. Posso dizer que eu me transformei num novo ser humano, e desejo levar a esses povos algo bom. Confesso que mais que ajudar alguém, eu é que fui ajudado ao escolher esse caminho", conta.
Dentre as nações, Everton, que é formado em Teologia e Economia e especialista em Pedagogia em Psicanálise, já atuou no Oriente Médio, na Ásia, na Europa, e, inclusive, em regiões carentes do Brasil. Em cada lugar, uma história, um aprendizado e uma experiência incrível.
"São diversos os atendidos, e, em cada localidade, saio com uma nova visão sobre o mundo afora. Eu trabalho com ações humanitárias em tribos indígenas, quilombas (que são descendentes de escravos), povoados no sertão nordestino, refugiados de guerra, dentre outros povos. Já estive na Índia, que prega o budismo, induísmo e ponteísmo; no Egito, que fica no Nordeste da África. Passei pela Polônia, onde pude conhecer o campo de concentração nazista. E conheci, inclusive, a Kibera, na maior favela do Quênia, onde há quase um milhão de pessoas", enumera o educador.
Ações
Foram diversos os lugares por onde ele compartilhou os seus conhecimentos em projetos educacionais e culturais. Recentemente, ele voltou do Iraque, um lugar que se encontra em guerra. Segundo Everton, esta é uma das regiões com maiores dificuldades, pois são países fechados, que dificultam o diálogo com instituições importantes para viabilizar os projetos. "O nosso objetivo é gerar oportunidades, abrir novas visões de vida, novos contextos. Temos de estimular atividades que mostram que é possível começar uma nova vida. Nossos projetos incentivam o esporte, a cultura e a educação. Oferecemos cursos de idiomas, de informática, dentre outros. Também levamos a espiritualidade a esses povos, que precisam resgatar a esperança por dias melhores", destaca.
Os projetos são realizados principalmente com as crianças, que participam das atividades, e, com elas, se socializam e veem que suas vidas podem melhorar ao meio das adversidades. Mas as ações também são de cunho social, como a ajuda com moradia, alimentação e cuidados médicos. Existe uma equipe preparada para atender às necessidades.
Geralmente, eles ficam em torno de dois meses em cada local, período em que realizam as suas ações, com o desejo de que elas tenham continuidade. Isso tudo é viável por conta das parcerias firmadas com organizações importantes. "Nós nos associamos a uma organização, dialogamos para apresentar nossas propostas, e assim a nossa entrada ser permitida. Não é uma tarefa fácil, mas o importante é entrar no país", explica.
De volta ao Brasil, Everton planeja desenvolver algo com os refugiados. "Para se ter uma ideia, há nove mil refugiados no Brasil, são pessoas vindas, segundo um estudo, de 79 países. Eu desejo desenvolver uma ação especial a esses povos que se encontram no País", revela.
O educador alimenta o sonho de ser uma referência positiva a todos que o conhecerem. "Não é preciso ser velho para deixar a sua história, pelo contrário, também é possível ser jovem e ainda assim ter uma experiência que sirva de inspiração aos que estão à nossa volta. E, assim como o nosso lema, eu espero influenciar as pessoas e ser, por sua vez, um exemplo positivo", finaliza Everton Ricardo.