O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) vai apresentar na próxima semana ao governo do Estado o projeto para a reforma e ampliação da Santa Casa de Mogi das Cruzes. A previsão é que 17 leitos para as gestantes e dez de UTI Neonatal sejam implantados. O investimento previsto é de R$ 4,5 milhões e um custeio de R$ 450 mil por mês. A proposta será protocolada no Departamento Regional de Saúde I e uma audiência com o secretário de Estado da Saúde, David Uip, será agendada.
De acordo com o secretário de Saúde de Mogi, Marcello Cusatis, a implantação de novos leitos para a Santa Casa vai ajudar a reduzir o déficit existente no Alto Tietê, além de ser a alternativa mais em conta atualmente.
O Condemat trabalha com dois índices, o primeiro, que leva em consideração toda a população, aponta que a região precisa de mais 292 leitos obstétricos, nos quais 71 de UTI Neonatal. O segundo índice, que considera apenas a população do Sistema Único de Saúde (SUS), mostra a necessidade de mais 131 leitos obstétricos. Já no caso da UTI Neonatal, teoricamente não haveria necessidade, mas como Mogi recebe gestantes de outros municípios, é preciso ampliar este número, por causa do índice de risco.
Para Cusatis, o primeiro passo para a ampliação dos leitos foi atingido, pois a Secretaria de Estado da Saúde reconheceu o déficit existente na região. "Juntos, conceituamos essa falta de leitos. Desde 2015, dizemos que algo precisa ser feito. Tivemos o fechamento de alguns serviços e a superlotação na Santa Casa de Mogi, além disso, a iniciativa privada parou de investir em maternidades. Das três que existiam, só temos uma. Fecharam 70% dos leitos de maternidade em Mogi. Obviamento, isso tem um reflexo no setor público", ressaltou.
O secretário enfatizou que a ampliação da Santa Casa soluciona emergencialmente o problema de superlotação da maternidade e déficit no serviço, mas que o Condemat vai trabalhar para encontrar projetos que resolvam a situação a longo prazo, como a construção de uma maternidade regional, o aumento de médicos para o hospital de Ferraz de Vasconcelos e a reabertura da maternidade do Stela Maris de Guarulhos.
Com a reforma proposta pela Santa Casa, a ala de ortopedia, que hoje funciona no mesmo pavimento que a parte de obstetrícia, será remanejada para o setor de internação pediátrica. Este serviço será transferido para o Hospital Municipal de Mogi (HMMC).
De acordo com o provedor da Santa Casa, Austelino Mattos, com a reforma, serão ampliados cerca de 480 metros quadrados, nos quais 153 m² no 1° andar, 107 m² no 2° pavimento e 220 m² no 3° andar. No valor de R$ 4,5 milhões já está previsto os equipamentos necessários.
Depois da reforma, os leitos obstétricos saltarão de 38 para 54, já os de UTI sairão de 9 para 19 leitos. Com a mudança, a Santa Casa perderá leitos da ortopedia e particulares. "De 38 leitos estamos com 59 gestantes. A superlotação está constante. O Estado pediu para protocolarmos o pedido do primeiro plano imediado de expansão da Santa Casa de Mogi. Uma reforma como esta é muito complexa. Acredito que dá para fazer em 12 meses", ressaltou Cusatis.
Estado
Questionada sobre o prazo para analisar o projeto e iniciar as obras de reforma, a Secretaria de Estado de Saúde informou que "O Departamento Regional de Saúde (DRS) da Grande São Paulo aguarda o envio do projeto de reforma da Santa Casa de Mogi das Cruzes pela Prefeitura, gestora da unidade. O DRS esclarece que acompanha a situação das maternidades da região do Alto Tietê. Cabe lembrar que o SUS funciona em rede, ou seja, se houver eventualmente ocupação máxima de leitos em uma determinada cidade, os pacientes poderão ser transferidos a outros hospitais do Alto Tietê e do Estado que ofereçam o recurso necessário para o atendimento".