Era 8 de junho de 2016, quando um ônibus de universitários, que seguia de Mogi das Cruzes para o litoral norte paulista, capotou na rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) matando 18 pessoas e deixando dezenas de feridos. Hoje, um ano após a tragédia que abalou o Alto Tietê, a data é tida como um momento de recordar os que se foram, clamar por Justiça e, principalmente, celebrar a vida.
Passados 12 meses desde o acidente, muitos dos sobreviventes já voltaram à rotina. Grande parte deles retomou os estudos, alguns já se formaram e outros seguem em busca do sonho de ter uma profissão.
Para alguns dos estudantes, a saída encontrada para não desistir do objetivo foi mudar-se para Mogi e evitar pegar a estrada diariamente para frequentar as aulas. Mas há também aqueles, que por questões financeiras não possuem condições de arcar com os estudos e, ao mesmo tempo moradia. Com isso, são obrigados a enfrentar o medo, e, todos os dias, refazer o mesmo percurso daquela noite.
Independentemente das circunstâncias e dos caminhos buscados para superar os traumas, a vontade de seguir os sonhos e aproveitar a vida da melhor forma é apontada pelos entrevistados, como uma das principais motivadores para encarar as dificuldades.
Dificuldades estas que são conhecidas pelo Erick Augusto Carvalho Pedralli, 22, que meses após o ocorrido voltou a frequentar as aulas do curso de Engenharia Civil. "Não desisti do meu sonho de ser engenheiro. Voltei em agosto do ano passado, mas com problemas psicológicos como Déficit de Atenção, falha de memórias e nervosismo", disse.
Para ele, além das cicatrizes, o ocorrido trouxe também uma nova forma de enxergar a vida. "Penso que mesmo eu tendo perdido meus colegas em uma viagem de volta para a casa, eu não posso desistir daquilo que sonhei. Passei a dar mais valor pra tudo. O que não pode faltar é a Fé em Deus", comentou.
Pensamento semelhante é compartilhado pelo estudante de Engenharia Civil, Felipe Ferreira da Silva, 19, que devido à gravidade das lesões que sofreu, incluindo um traumatismo craniano e uma fratura na coluna cervical, que inclusive ameaçaram o deixar tetraplégico, teve dificuldades para voltar à rotina. Com isso precisou trancar a matrícula e reabri-la apenas no primeiro semestre deste ano, após mudar-se para Mogi. "Passei a valorizar a vida, a família, as coisas mais simples e importantes. Em fração de segundos eu posso sofrer um acidente e morrer, então temos que aproveitar o tempo que temos", concluiu.
Quem também precisou mudar-se para outra cidade foi a arquiteta e urbanista, Sibele Bombana, 23, que concluiu os estudos em dezembro de 2016. "Nunca mais usei um fretado desde o acidente, não tive coragem para isso. A força para retomar a rotina veio da minha família, afinal eu já estava no 9º semestre da graduação quando sofri o acidente e nesses 4 anos e meio já havia enfrentado muitas dificuldades, muitas delas era justamente o caminho até a universidade. Além disso, eu tinha que lutar pelas vidas que se perderam naquele acidente, principalmente por Daniela Dias que era uma grande amiga e também tinha o sonho de se formar", concluiu.