As unidades de Mogi das Cruzes e Suzano do Instituto de Nefrologia têm enfrentado grandes dificuldades financeiras para manter o atendimento de 455 pacientes da região. Em conversa com o deputado estadual Luiz Carlos Gondim (PPS), um dos diretores das clínicas, o nefrologista Rui Alberto Gomes, informou que está cada vez mais complicado realizar os serviços, mantidos parcialmente com verbas do governo federal, por meio de convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), que já pensa em reduzir a demanda de pacientes nas duas clínicas.
Gomes explicou que, atualmente, o Ministério da Saúde repassa R$ 194 por sessão de hemodiálise, mas o valor não cobre o custo do procedimento, que está perto dos R$ 300. "Isso representa um déficit de 30% a 35% por paciente, que temos que arcar. Para poder manter o atendimento, temos que recorrer a financiamentos e empréstimos bancários", justificou. "Mas nós ainda não chegamos nessa opção, que é indesejável de pensar, em reduzir o atendimento, porém, estamos sendo empurrados para essa situação, caso esse déficit gigantesco financeiro continue".
Em entrevista concedida ao jornal no ano passado, Gomes afirmou que o instituto opera com um déficit médio mensal de mais de R$ 200 mil. No momento, cerca de 70% dos pacientes atendidos foram encaminhados por meio do SUS e 30% são particulares ou de convênios médicos.
O médico ressaltou ainda que a unidade tem espaço para ampliar o atendimento, mas não tem como custear essa possibilidade. A unidade de Mogi atende 304 pacientes, enquanto que a de Suzano recebe 251 pessoas que fazem hemodiálise periodicamente.
"O grande problema da diálise no Brasil, e que já vem de muitos anos, é o financiamento. Numericamente, os repasses não são suficientes e isso gerou um 'gargalo'. Não surgem mais serviços. Por isso, existem várias clínicas que fecharam ou se descredenciaram do SUS", disse.