Buracos, sujeira e falta de acessibilidade são os problemas mais frequentes nas vias centrais de Suzano. O maior desafio de um cadeirante é ter que driblar o espaço pequeno com a multidão e os obstáculos dos calçamentos. A falta de rampas de acesso nas ruas e nos comércios é outro fator criticado por quem tem mobilidade reduzida. Trafegar nas calçadas esburacadas também tem sido difícil para os pedestres. Além disso, os motoristas alertam para os riscos de acidentes por causa da ausência de sinalização e do asfalto danificado.
No início do ano, foi anunciado um pacote de obras de revitalização do centro comercial da cidade. Os serviços, orçados em mais de R$ 2 milhões, estavam previstos para ter início em abril e contemplariam as ruas Baruel, General Francisco Glicério e Benjamin Constant. No entanto, apenas o trecho da Baruel por onde a Tocha Olímpica passou, em julho, foi beneficiado.
A falta de acessibilidade é o que chama a atenção na Glicério, onde há o maior fluxo de pedestres. O metalúrgico Isaías Pinto da Silva, de 49 anos, é cadeirante e sente todas as dificuldades ao passar pela região. Inclusive, ele já foi vítima dos obstáculos e da falta de manutenção dos calçamentos.
"Uma vez minha cadeira virou, porque não consegui subir nas rampas", lembrou. "Apesar de haver esses acessos, eles não são adequados", observou Isaías, apontando os pontos quebrados das rampas. Ele ainda sugeriu a criação de uma legislação em que os estabelecimentos comerciais disponibilizem rampas para que os cadeirantes possam chegar até as lojas, já que muitas não têm nenhum acesso facilitado para quem tem mobilidade reduzida.
A autônoma Poliana Souza, 26, também apontou a falta de acessibilidade dos comércios e das ruas como principal problema. "Existe até o risco de alguém cair, porque não tem rampa", avaliou. "Acredito também que precisa trocar todo o calçamento".
Para os motoristas, o principal desafio é lidar com os buracos e a falta de sinalização. A rotatória localizada entre as ruas Barão de Jaceguai e Dr. Felício de Camargo é um dos pontos em que os condutores precisam redobrar a atenção. "Esse lugar está mal sinalizado e ainda tem essa boca de lobo suja e entupida que enche de água quando chove", apontou o fiscal de loja, Dino Leite, 66.
O operador de loja Marcos Jassara, 50, fez a mesma crítica e lembrou que o local é palco de muitas colisões de veículos. "Sempre vejo pequenas batidas, mas poderia ser pior", disse. "Sem contar que essa boca de lobo quebrada traz vários transtornos quando chove e alaga tudo por aqui".
As condições do asfalto da rua Benjamin Constant também foi criticada pelo comerciante Célio Boim, 36. "Está esburacada. Se fecha um buraco, abre outro. E o recapeamento é de uma qualidade tão ruim que a manutenção que fazem nem dura muito tempo", avaliou.