Por 13 votos favoráveis e dois contrários, a Câmara de Ferraz de Vasconcelos manteve a recomendação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e rejeitou a prestação de contas do município relativas ao exercício de 2014. A votação do projeto de decreto legislativo ocorreu na sessão ordinária, na segunda-feira. Com isso, o prefeito afastado pela Justiça, Acir Filló dos Santos (sem partido), o Acir Filló, poderá ficar inelegível por oito anos.
O TCE-SP baseou o seu parecer prévio desfavorável no fato do então prefeito da cidade ter aplicado 87,27%, ou seja, deixando de investir a quantia de R$ 8,4 milhões do Fundo de Desenvolvimento e Manutenção da Educação Básica (Fundeb) e na ausência de pagamentos ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de abril a dezembro de 2014. Além disso, o chefe do Poder Executivo, na época, causou um déficit na execução orçamentária anual de -6,35%, correspondente a R$ 16,1 milhões, mas os conselheiros acolheram a justificativa apresentada por Filló.
Com a atual reprovação das contas de 2014, a prefeitura Ferraz não registra desde 2004, isto é, na segunda gestão do agora prefeito eleito, José Carlos Fernandes Chacon (PRB), o Zé Biruta, nenhuma prestação de contas referendada mesmo com ressalvas pelo TCE-SP. No período de 2005 a 2012, pertinente ao governo de Jorge Abissamra (PSB), o Dr. Jorge, das oito sugestões desfavoráveis do TCE-SP, a metade foi mantida pela Câmara. Em contrapartida, as contas concernentes ao primeiro ano da gestão do prefeito afastado de Ferraz, Acir Filló, em 2013, também já receberam parecer prévio contrário, porém, a decisão ainda não foi remetida para a apreciação dos vereadores.
Neste caso específico, o prefeito afastado aplicou apenas 90,36% de recursos do Fundeb quando o mínimo obrigatório é de 95%, já que a legislação federal permite que somente 5% possam ser investidos em restos a pagar no exercício seguinte e não pagou precatórios, no fundo, um corriqueiro motivo de rejeição de contas anteriores. Em relação à reprovação das contas de 2014, os vereadores Luiz Fábio Alves da Silva (PMDB), o Fabinho, e Roberto Antunes de Souza (SDD) foram os únicos contrários ao TCE-SP. O parlamentar Henrique Marques (PRB) não votou por estar licenciado por motivo de saúde. Já o vereador Luiz Tenório de Melo (PR) não pôde comparecer a sessão por ter compromisso em São Paulo e não chegou a tempo.