Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que do total de 912.006 eleitores do Alto Tietê que foram às urnas no último domingo, 99.446 votaram nulo e 52.283 em branco. O alto índice de anulação dos votos pode ser consequência do desinteresse da população pela política.
Na região, Arujá foi o município que apresentou a maior quantidade de votos nulos. Foram 13.223 (25,04%) dos 52.811 eleitores, que anularam os seus votos. Outros 2.712. votaram em branco.
Salesópolis vem logo em seguida, com 21,18%, ou 2.581 dos votos nulos. Outras 402 pessoas votaram em branco. No maior colégio eleitoral da região, Mogi das Cruzes, 240.669 pessoas foram às urnas. Destas, 25.507 votaram nulo, o que representa 10,60% dos votos e 13.470 em branco (5,60%).
Os candidatos que tiveram o registro de candidatura indeferido e aguardavam julgamento de recurso, tiveram seus votos considerados nulos na totalização dos resultados, inclusive os indeferidos com base na Lei da Ficha Limpa.
Para Mario Sergio de Moraes, historiador e professor de Cultura Brasileira na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Universidade de São Paulo (USP) e Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), os escândalos envolvendo corrupção no País, como a Operação Lava Jato, fizeram com que os brasileiros passassem a acreditar menos na política.
"A despolitização, ou seja, o desinteresse das pessoas pela política, causa um efeito negativo no momento de ir às urnas e um descrédito em relação aos candidatos. Por causa disso, muitos pensam em saídas individuais, como se a política não fosse interferir na vida deles", comentou Moraes.
Ele afirmou que a solução é a renovação, e não apenas dos políticos, mas também da organizações da sociedade civil, entidades nascidas da livre participação social da população que desenvolvem ações de interesse público sem visar o lucro. "As pessoas também não têm mais crédito com esse tipo de organização, apenas com a sua própria voz. A reforma tem que começar de baixo para cima", concluiu.
* Texto sob supervisão do editor.