Alguns moradores do Jardim Luciana, em Itaquaquecetuba, ainda não contam com rede de abastecimento de água. A reivindicação é antiga. Desde 2008, quem mora no final da avenida Maringá luta para ter o recurso encanado nas residências. A prefeitura afirma que está prestes a assinar um convênio com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e deve contemplar cerca de 1,4 mil imóveis nos bairros da cidade.
O contrato entre a concessionária e a administração municipal prevê repasses de, aproximadamente, R$ 3 milhões por mês. O contrato terá vigência de 24 meses, totalizando R$ 70 milhões de investimentos para infraestrutura, incluindo rede de água e esgoto, pavimentação e canalização de córregos, além da regularização fundiária. No entanto, a prefeitura não detalhou quais bairros serão contemplados.
De acordo com as pessoas entrevistadas pela equipe de reportagem do Dat, a Sabesp e a prefeitura iniciaram um jogo de empurra. "Quando fazemos a solicitação para a Sabesp, eles alegam que a área é irregular, mas, desde 2008, nós pagamos o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)", contou a aposentada Maria Madalena Bueno, de 77 anos. "E quando ligamos na prefeitura, temos a confirmação de que a área está regularizada e que o problema tem que ser resolvido com a Sabesp".
O pintor Paulo Roberto da Silva, 35, comparou a situação com a instalação de rede elétrica do local. "Se a EDP Bandeirante já instalou a energia sem alegar problemas, eu não entendo qual é a dificuldade com a Sabesp", questionou.
O auxiliar de limpeza Eudes Oliveira, 25, lembra que também já fez várias reivindicações, mas todas sem sucesso. "A Sabesp chegou a responder que a prefeitura precisa asfaltar a rua para que a rede de água seja implantada. Já a prefeitura contesta e diz que, primeiro, é necessária a instalação da rede para o asfalto chegar até aqui", explicou. "Enquanto esse problema não é resolvido, continuamos na rua de terra", queixou-se o morador do Jardim Luciana.
A falta de atenção para o local está gerando diversos problemas. O esgoto, por exemplo, está entupido há meses. "Entope, transborda e temos que conviver com o mau cheiro e o risco de doenças", alertou a diarista Geralda Gomes, 35. "Vimos alguns funcionários da Sabesp circulando na rua, mas foram embora e não nos deram posicionamento algum, nem sobre o esgoto a céu aberto e, muito menos, sobre a ligação da água".