Após quase duas décadas de imbróglio jurídico e ambiental e debaixo de uma forte chuva, o governo do estado finalmente deu início às obras de desassoreamento do rio Tietê, no trecho compreendido entre o córrego Três Pontes, no limite entre São Paulo com Itaquaquecetuba, e o córrego Ipiranga, em Mogi das Cruzes. O "start" dos serviços, orçados em R$ 37,7 milhões, foi dado ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), em mais uma visita à região. Previsto para ocorrer, a princípio, em três frentes (Mogi, Suzano e Itaquaquecetuba), o desassoreamento deve durar em torno de 18 meses.
Nas próximas semanas, segundo o governador, máquinas do Departamento e Águas e Energia Elétrica (DAEE) estarão às margens do rio, promovendo o aprofundamento e alargamento da calha. “A ideia é, de uma maneira geral, fazer a limpeza do rio e ainda outras ações que permitem a vazão do Tietê e também de seus afluentes”, detalhou Alckmin. “A partir de hoje, a apreensão da população do Alto Tietê, com relação às enchentes, tende a diminuir”, prometeu o governador.
“Vamos atuar em três frentes: em Mogi das Cruzes, Suzano e Itaquaquecetuba. A ideia é começar demarcando o rio. Em seguida, promover a instalação dos bota espera (que são os reservatórios de resíduos a serem levados para o bota-fora) e depois ir entrando com as máquinas”, detalhou o superintendente do DAEE, Ricardo Borsari .
Ele estima que, com a obra, os problemas de enchentes aos moradores do Alto Tietê serão minimizados em torno de 40% em 2017 e, totalmente, no verão de 2018. “Trata-se de uma obra complexa, cheia de etapas e a longo prazo”, disse. “Embora seja uma região de planície, o Tietê é cheio de meandros, com algumas rochas em suas margens, o que necessitará de algumas explosões. Tudo isso requer tempo, mas ainda assim nesta cheia (verão 2016/2017) será perceptível a melhora”, garante.
O prefeito Marco Bertaiolli (PSD) está confiante de que as obras terão impacto positivo no município, nos próximos meses. “A prevenção é o melhor remédio, principalmente no que se refere a enchentes. A Prefeitura tem feito a sua parte com limpeza de córregos, entre outros serviços, mas com esta obra, de aprofundamento da calha do Tietê, certamente, já em 2017, teremos poucos problemas relacionados ao transbordamento do rio”, disse.
O deputado estadual Marcos Damasio (PR) lembrou que há 17 anos a limpeza do Tietê é esperada na cidade. “Moradores do Rodeio, Mogilar e Ponte Grande, sofreram muito com enchentes e sempre pediram a limpeza do rio. Agora, com este amplo trabalho, quando a época de chuvas chegar, tenho a impressão de que nunca mais teremos este tipo de problema na cidade”.
O desassoreamento do rio entre Mogi das Cruzes, Suzano e Itaquá deve atingir 44,2 quilômetros. (N.A.)