Dados da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária revelam a existência de 4.134 presos nos Centros de Detenção Provisória (CDP) de Suzano e Mogi das Cruzes. Trata-se de uma população carcerária, em média, três vezes maior do que as 844 vagas que cada uma das unidades prisionais comportam.
A superlotação (2.114 presos em Mogi e 2020 em Suzano) é um dos fatores que contribuem para o desencadeamento de diversas doenças, como a tuberculose.
Em nota encaminhada por meio da assessoria de imprensa ao Grupo Mogi News, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) garante que o índice de óbitos na região "por causas naturais", são ínfimos. O Estado contabiliza ao menos quatro ocorrências de mortes no ano de 2015 no CDP de Suzano e três óbitos no CDP de Mogi sendo: parada cardíaca; meningite viral e pneumonia bacteriana não especificada. Em 2016, apenas um óbito no CDP mogiano foi confirmado, oficialmente, pela SAP.
Entretanto, segundo levantamento de reportagens veiculadas no Mogi News, em média, uma vez por mês, uma pessoa morre de "causas naturais" ou de maneira violenta nas carceragens da região. Entre os óbitos relatados pelo Grupo Mogi News está o do detento Lucas Belo da Silva Ferreira. Ele morreu, em maio último, aos 19 anos, após dar entrada no Pronto-Socorro (PS) municipal, depois de passar mal dentro da cela onde estava no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Suzano. O rapaz, segundo boletim de ocorrência, teria sido encaminhado à enfermaria da unidade, que, por sua vez, informou que ele precisava de atendimento médico. Porém, antes que ele fosse levado a um hospital, ele caiu na enfermagem e foi levado ao PS, onde já chegou morto. O caso foi registrado como "morte suspeita".
A Secretaria de Administração Penitenciária garante que "todos os reeducandos têm atendimento garantido em todas as unidades prisionais de todo o Estado por meio da equipe de saúde existente nas prisões. Os casos mais complexos são encaminhados à rede pública de saúde ou ao Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário da Fundação ABC, nos hospitais de referência em saúde e quando necessitam de atendimento em especialidades podem agendar por meio do Sistema CROSS - Central de Regulação de Ofertas de Serviços, em Saúde em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde".
O Estado admite a falta de médicos para atuar no sistema prisional. Para dar assistência aos presos do CDP de Suzano, segundo a SAP, há uma equipe e que compõe o Núcleo de Saúde: uma psicóloga, uma assistente social, uma técnica de enfermagem, dois auxiliares de enfermagem e quatro enfermeiras. O único médico que vai à unidade suzanense faz parte de uma parceria entre o CDP de Suzano e a prefeitura. O profissional atende a população carcerária duas vezes por semana. "A Secretaria também recorrentemente tem promovido abertura de editais para ampliação das equipes de saúde nas unidades. Atualmente foi autorizado concurso visando a contratação de 252 médicos", conclui a nota do governo do Estado.