A crise na saúde de Arujá, que há tempos sofre com a falta de médicos especialistas, tem sido agravada pela falta de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal na Maternidade Municipal "Dalila Ferreira Barbosa", no Jardim Renata. A ausência de infraestrutura na unidade e no município tem feito com que muitas mulheres sejam obrigadas a peregrinar e buscar atendimento fora da cidade. O caso mais recente foi de uma jovem de 19 anos, grávida de gêmeos, que precisou recorrer a um hospital em Mogi das Cruzes.
Jheniffer Aparecida Sales de Assis foi levada pela mãe na noite do último dia 15 para a maternidade municipal arujaense, já em trabalho de parto. Chegando lá, os médicos informaram a mãe dela, a estudante Valéria Oliveira, 36, que a gestante não poderia ter os bebês na unidade, devido à gravidez de risco e à falta de UTI neonatal. "Se realmente as crianças tivessem nascido lá, elas não sobreviveriam", disse Valéria.
A confusão na porta da maternidade chegou a ser filmada por amigos da família, que tentaram até arrumar uma ambulância para transferir a jovem para outro hospital. Mas, em razão da demora de quatro horas, a mãe da jovem desistiu de esperar e resolveu pegar a filha e levá-la com o marido - que precisou sair do trabalho -, até a Santa Casa de Mogi, onde o parto por cesárea ocorreu sem problemas. "A maternidade de Arujá não conseguiu ambulância, porque alegou que precisava de um fax da Santa Casa de Suzano para poder liberá-la, já que tentavam a transferência dela para lá. Mas não conseguiram nada e fomos buscar atendimento por conta própria", detalhou Valéria.
Na mesma noite, os pais conseguiram a internação da jovem na Santa Casa de Mogi e Jheniffer teve os filhos Vitor e Vitória na manhã do dia 17. "Como a menina nasceu com baixo peso, teve de ficar na UTI neonatal. Se Deus quiser, hoje (ontem) ela já sai", informou a avó das crianças.
Resposta
A Prefeitura de Arujá disse que, segundo Ademir Medina, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim" (Cejam), responsável pela administração da Maternidade Municipal, a paciente buscou atendimento no dia 15, às 19h38, ocasião em que o médico Márcio Kassawara a atendeu. "O médico realizou exames e constatou que ela ainda não estava em trabalho de parto, motivo pelo qual não solicitou internação ou mesmo transferência para outra unidade naquele momento", informa a nota. Ainda conforme o Cejam, a paciente não retornou mais à maternidade após esta data.
De acordo com a Secretaria de Saúde de Arujá, não há registros de solicitação do serviço de ambulância para a paciente por parte de parentes ou responsáveis.
A família de Jheniffer contesta, afirmando que ela estava em trabalho de parto (tanto que foi internada e teve as crianças) e que se ficou esperando tanto tempo na maternidade, certamente, não foi à toa. "É um descaso total uma cidade tão rica não ter estrutura alguma. Se não houvesse cidades próximas, o que seria de nós?", questiona Valéria.