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Depois de mais um atropelamento fatal na altura do quilômetro 196 da rodovia Presidente Dutra, no sentido São Paulo-Rio de Janeiro, no trecho de Arujá, os moradores do bairro Cachoeira e adjacências querem saber quantas pessoas mais terão que morrer até que sejam providenciadas as passarelas prometidas para o local.
Na última sexta-feira, Francisco Dias Nascimento, de 52 anos, conhecido como Candé, morador do bairro Estância Pacaembu, também às margens da rodovia, saía de uma festa no Rancho da Pamonha, por volta das 23 horas, quando ao atravessar foi atropelado por um caminhão e morreu na hora. O motorista fugiu.
O construtor Israel Antônio do Prado, 48, que mora desde que nasceu no Cachoeira e chegou a ouvir o barulho do atropelamento, diz que é antiga a reivindicação da comunidade sobre a colocação de passarelas no trecho. "Meu pai já cobrava isso. Já morreram mais de 20 pessoas dos nossos bairros e fizemos vários abaixo-assinados. Tenho um irmão que foi atropelado duas vezes no mesmo lugar e até hoje tem sequelas. Outro irmão meu morreu há cinco anos no local, também atropelado".
A tia de Prado, a dona de casa Josefina Aparecida de Oliveira, 56, moradora do Cachoeira, também perdeu o marido, que atravessava a rodovia no mesmo ponto, 23 anos atrás. "Ele tinha 42 anos na época e estava vindo do trabalho para casa. Só desse bairro conheço uns quatro que morreram da mesma forma. Meus filhos, quando pequenos, também tinham que atravessar a pista. Eu ficava com muito medo. Até hoje, quando o ônibus escolar quebra, as crianças que estudam no bairro próximo têm de correr esse risco, porque não mandam ônibus substituto", exemplificou.
O casal Vilma de Paiva Nepomuceno, 57, e Alvimar, 68, perdeu na Dutra o filho de 14 anos, além de dois irmãos dela, todos atropelados no mesmo trecho, quando tentavam atravessar. "Meu filho morreu quando ia para a escola, 22 anos atrás, enquanto que um irmão de 36 anos morreu há 11 anos, quando ia para Arujá buscar o seguro-desemprego. Já o outro irmão foi há três anos. Ele tinha feito 50 anos no dia anterior e voltava da mesma festa no Rancho da Pamonha, quando foi atropelado ao tentar atravessar", detalhou Vilma.
O comerciante Fernando Alves Costa, 42, conheceu a dor de perder um parente na rodovia na sexta-feira passada. O sogro dele foi a mais recente vítima de atropelamento no trecho. "Diariamente atravessamos aquele lugar e é muito perigoso. Falta passarela urgente. Sabemos que a prefeitura prometeu cobrar o governo para colocar, mas até agora nada", afirmou.
Velório
Costa fez ainda outra crítica à administração municipal: "Pior é que além da gente ter perdido um ente querido, no velório não tinha nem os materiais básicos para dar um pouco de conforto à família, de modo que tivemos que comprar, com recursos do nosso próprio bolso, os copos descartáveis para beber água, além do papel higiênico e sacos de lixo".
A Prefeitura de Arujá, em resposta à reclamação, informou "que não houve e nem há falta de materiais no Velório Municipal". Esclareceu ainda que "todo auxílio foi prestado à vítima - que foi beneficiária do Programa Emergencial de Auxílio-Desemprego (Frente de Trabalho) e era assistida pela Secretaria Municipal de Assistência Social, bem como à família, inclusive com a doação de urna funerária e isenção de taxas, entre outros serviços que foram disponibilizados pela administração".