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Mesas de estudo, computadores, professores, livros, refeitório e salas de aula. O cenário descrito até poderia ser uma escola. Isso se não fossem as grades, os muros altos, as equipes de segurança, a privação à liberdade e, principalmente, as histórias daqueles que lá estão. Trata-se da unidade da Fundação Casa de Arujá, onde atualmente 64 menores infratores cumprem medida socioeducativa. A maioria com idade entre 15 e 17 anos.
Os olhares curiosos que tentam identificar os visitantes, logo desaparecem ao saberem tratar-se da equipe de reportagem. A maioria é cabisbaixa, demonstra certo receio e procura não encarar quem os analisa.
Assim como o uniforme azul- marinho (calça e blusa de moletom), o chinelo de dedo com meia e o cabelo com corte estilo militar, o uso das palavras "senhor" e "senhora" para responderem quando indagados, é unânime. Expressões como "por favor" e "com licença" são ditas com tamanha frequência, que nem de longe lembram os hábitos que tinham antes da internação.
Para muitos, acostumados a regalias e a vida sem regras, a rotina na Fundação é considerada intensa. O dia dos internos começa às 6 horas, quando deixam o dormitório. O local, para onde retornam apenas às 21 horas, abriga quatro jovens e conta com dois beliches de concreto, uma mesa e um banheiro com chuveiro e pia.
Ás 7 horas, após o café da manhã, os menores vão para as salas de aula, onde cursam o ensino formal. O conteúdo e os professores são os mesmos da rede estadual de ensino.
A tarde é destinada à atividades diversas: práticas esportivas, oficinas de arte e cultura, aulas de rap e grafite, além de cursos de culinária, web design, manutenção, entre outros. Todas as capacitações são aplicadas por entidades parceiras.
Além disso, o bom comportamento e o empenho podem resultar na oportunidade de praticar atividades externas, conforme destaca o coordenador pedagógico da unidade, Danilo Silva Veras. "Essa saída é uma das metas que o jovem tem que alcançar. No entanto ela tem que ter um propósito. O curso, por exemplo, tem que agregar algo ao interno, não é apenas sair, por sair. Além disso, essa possibilidade é avaliada por toda equipe, para concluir se ela vai ser vantajosa ou não. Ele nunca sai desacompanhado e precisa de autorização do judiciário", explicou.
Apesar dos esforços para a reeducação dos menores, pelo menos 16% deles retornam para a criminalidade e voltam a cometer algum tipo de infração. Para evitar que isso aconteça, trabalha-se também as questões familiares. "O adolescente recebe todo o atendimento para que possa refletir sobre seus atos e seu histórico de vida. São traçadas metas para cumprir ao longo da medida socioeducativa e também planos futuros. O apoio da família é fundamental. Então cria-se esse vínculo, para que percebam que houve algo de errado. Muitas vezes o problema está também dentro de casa", comentou.
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