Criatividade e calculadora na mão. Estes são, segundo a nutricionista Karina Vitor Souza, os principais aliados e "ingredientes" a serem utilizados diariamente pelas donas de casa na hora de preparar as refeições que serão servidas à família. Responsável pelo curso de Educação Nutricional e Alimentar do Sesi de Mogi das Cruzes, Karina é defensora da utilização de integral de produtos, algo que não é muito comum na cultura brasileira. 
"As frutas e vegetais são alimentos muito ricos em nutrientes, desde a casca, como folhas e polpa, mas que infelizmente não são muito utilizados na íntegra. Algo que precisa ser mudado", alerta a especialista.
Para ela, em tempos de crise econômica, em que a cada semana um novo produto do cotidiano do brasileiro sofre aumentos e deixam de ir para a mesa, é preciso inovar e utilizar diferentes receitas. Até o momento, os "vilões" da cesta básica são o arroz, feijão e leite. "A pesquisa é uma prática cada vez mais comum, mas não pode ficar limitada ao preço; é preciso avaliar o produto da época, o valor nutricional e a possibilidade de seu aproveitamento integral", afirma Karina. "Se o arroz está acima do preço, é possível substituí-lo por outro produto com grande valor nutricional em carboidrato e que não tem o custo tão elevado. É o caso da batata-doce que, por sua vez, pode ser utilizada em diferentes e nutritivas receitas", reforça. No caso do feijão, cujo quilo varia de R$ 11 a R$ 14, a orientação é substituir por ervilha e lentilha.
Contudo, são nas frutas e vegetais como abóbora, beterraba, espinafre, cenoura, acelga, brócolis e couve-flor, que a nutricionista vê melhores condições de aproveitamento de nutrientes, a baixo custo. "Em todos esses alimentos e alguns outros como banana, abacaxi, maracujá e morango, podemos fazer receitas bem nutritivas desde as folhas, passando pela polpa e talos".
A única ressalva feita pela nutricionista Karina é para o preparo da beterraba e espinafre. "Após o cozimento da beterraba e espinafre é necessário descartar a água por conta do oxalato, presente nesses alimentos, e que pode ser prejudicial para idosos e crianças menores de 2 anos, pois podem auxiliar no desenvolvimento de cálcio excessivo nos rins (cálculo renal)", explica.