O dia em que se completou um mês do acidente com o ônibus de universitários que tombou na rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), matando 17 estudantes e o motorista, foi marcado por muita comoção e pedidos de Justiça. Na manhã de ontem familiares e amigos das vítimas estiveram no local da tragédia para prestar homenagens.
Por volta das 11 horas, o grupo, formado por cerca de 30 pessoas (muitas vestidas com camisetas estampadas com fotos dos falecidos), saiu de uma área de recuo da rodovia e caminhou até o ponto exato onde o veículo tombou, no quilômetro 84. A ação foi acompanhada pela Polícia Militar Rodoviária e a via permaneceu interditada nos dois sentidos.
No local, onde ainda era possível ver vestígios do acidente, como vidros quebrados e até mesmo objetos pessoais dos estudantes, foi realizada uma oração.
Em meio às lágrimas, os presentes depositaram flores e acenderam velas. Alguns nomes chegaram a ser escritos no rochedo onde o coletivo colidiu antes de tombar. A intenção é que uma placa com os nomes de todas as vítimas fatais seja fixada na área dentro dos próximos dias.
Uma das pessoas que participaram da homenagem era a universitária Gabriela Leite, de 18 anos, que estava no ônibus. Ela se queixa da falta de assistência por parte da empresa Viação União do Litoral e também da Prefeitura de São Sebastião. "Se dependêssemos da preocupação deles, morreríamos de fome, pois estamos tendo que tirar dinheiro do nosso bolso para arcar com todas as despesas. Todos estão na mesma situação. Outras prefeituras ligam, perguntam se precisamos de algo, mas quem deveria não auxilia", lamentou.
A jovem, que cursa engenharia civil e mora na Barra do Una, em São Sebastião, planeja retornar para a universidade no próximo semestre. Para isso, no entanto, será necessário mudar-se para Mogi das Cruzes. "Não dá para confiar na empresa. Agora que a Imprensa está em cima estão mandando ônibus novos, mas assim que isso passar eles (a empresa e a prefeitura) voltarão com os sucateados de antes", comentou.
Revolta
As más condições do veículo e a imprudência daqueles que permitiram que o mesmo circulasse são os motivos da revolta do zelador Jario Viana de Oliveira, 44, que perdeu seu único filho Guilherme Mendonça de Oliveira, 19, de forma tão trágica.
"O que queremos é Justiça. A empresa e a prefeitura não fizeram nada para evitar que ocorresse e também não estão fazendo nada para auxiliar as famílias", reclamou.
A caseira Maria Alves de Lima, de 45 anos, por sua vez, falou sobre a dificuldade de encarar a perda da filha Rita de Cássia de Lima, 19, que cursava enfermagem. "Quando eu via na televisão eu me compadecia da dor das outras mães, porque quando você se coloca no lugar do outro, você sabe que dói. Mas quando você passa pelo processo, a dor ultrapassa a alma. Você não consegue anestesiar. Por isso eu digo, ame seus filhos. Cuide deles como se fosse o último dia", disse.