O deputado estadual Luiz Carlos Gondim (SD) vai disputar as eleições municipais pela terceira vez em Mogi das Cruzes. Nascido em Fortaleza, no Ceará, ele adotou a cidade como sua terra em 1969. O pré-candidato aposta na experiência para concorrer no pleito de outubro. Eleito três vezes para a Câmara e em cinco ocasiões para a Assembleia Legislativa, ele garante que se sente o candidato mais preparado para pleitear a vaga de prefeito.
Gondim, que não participou da última eleição municipal, aposta na humanização do atendimento da população. O deputado estadual afirmou que a relação com a Câmara será muito boa. Durante a pré-campanha, o médico contou que tem participado de várias reuniões e trabalhado até tarde. Para o pré-candidato, a nova legislação eleitoral tornará o pleito mais justo.
Mogi News: O que te levou a entrar na política?
Luiz Carlos Gondim: Foram os momentos difíceis no atendimento médico, principalmente nos plantões de clínica geral, em que pais os filhos levavam os filhos e depois tinham que ir embora a pé de madrugada. Situações em que receitava os remédios, mas as mães não tinham dinheiro para comprá-los. Quando atuei em planejamento familiar, percebi que as pessoas mais carentes eram aquelas que tinham mais dificuldades. Aquilo me deixou triste e entrei para a vereança.
MN: Em que ano entrou na Câmara?
Gondim: Disputei a eleição em 1988. Fui eleito com 1.273 votos e meu primeiro mandato começou em 1989. Foram três mandatos seguidos. Sempre tive uma vantagem, pois dava atenção para as pessoas carentes e ouvia muito. Implantei muitas coisas, como o primeiro colposcópio para a prevenção do câncer em Mogi.
MN: Por que decidiu concorrer a deputado estadual?
Gondim: Fiquei na Câmara até 1998. Fui eleito deputado estadual pelo PV com mais de 13 mil votos. Na época, o governador Mario Covas falava muito de medicina preventiva, saneamento básico, tratamento de água e melhorias na saúde. Foi isso que me motivou. No segundo mandato, saíde 13 mil votos para 57 mil.
MN: Quais os principais projetos que executou?
Gondim: Na área da saúde, por exemplo, foi o programa "Câncer Diagnosticado é Câncer Tratado", que é chamado de "Vaga Zero". Conseguimos com o ministro Alexandre Padilha que o paciente com câncer iniciasse o tratamento em 60 dias. Com o Covas, conquistamos a reforma do Hospital Luzia de Pinho Melo e o Hospital de Itaquaquecetuba.
MN: Em que ano disputou a Prefeitura de Mogi?
Gondim: Senti que era possível me candidatar em 2004. Seria o segundo mandato do Junji Abe (PSD). Pela pesquisa, a população pedia muito o nome de um médico para administrar a cidade, que estava com muitos problemas na saúde. Fui muito bem votado, mas não consegui entrar. Em 2008, tentei novamente e a votação aumentou bastante.
MN: Como analisa essas eleições?
Gondim: Havia uma eleição rica, sem limites, com a máquina. Mas agora existe uma eleição pobre. Estamos em uma situação diferente, que só se pode gastar R$ 1,2 milhão. Existe limite da máquina, tudo hoje é denunciado quando há abuso.
MN: Acha que a disputa será mais justa?
Gondim: Será uma eleição disputada em igualdade de condições. São os partidos e as pessoas físicas que têm o gasto. Espero que as pessoas não abusem e que tantos os juízes quanto os promotores estejam atentos.
MN: Acredita que sua experiência será o diferencial nas eleições?
Gondim: Tenho três mandatos como vereador e cinco como deputado estadual, sempre com pessoas diferentes, como o grande Waldemar Costa Filho, o Francisco Ribeiro Nogueira e o padre Melo (Manoel Bezerra de Melo). Como deputado, peguei o Mario Covas, um espanhol duro, o Geraldo Alckmin (PSDB), mais centralizador, e o José Serra (PSDB), que era mais aberto. Você aprende como administrar, tira um meio termo e sabe como lidar, principalmente com um momento financeiro como esse. Você aprende a ter prioridades, evitar gastos, lidar com o dinheiro do município e administrar para quem precisa.
MN: Esse será seu trunfo?
Gondim: O melhor que tenho são os meus programas de governo. Acredito que não há nada tão bom que você não possa melhorar, e vou melhorar.
MN: Como enxerga Mogi hoje?
Gondim: Mogi é uma cidade excelente, que tem um jeito de interior, mas é grande. A educação está boa, mas dá para melhorar muito, assim como a saúde. Temos que dar atenção ao ser humano, humanizar o atendimento.
MN: Como está a pré-campanha?
Gondim: Estamos trabalhando na montagem do número de candidatos a vereador, fazendo um estudo do que a cidade mais precisa. Estamos trabalhando muito, às vezes, até 1 hora da manhã.
MN: Como estão as alianças com os outros partidos?
Gondim: Estamos conversando com o PTdoB e outros partidos que possam estar conosco. As coisas estão fechando. Temos a sinalização de um partido com bastante tempo de televisão, mas vamos confirmar posteriormente. Faz parte do nosso marketing só divulgar depois.
MN: Quanto tempo de televisão vocês conseguiram?
Gondim: Estamos com aproximadamente três minutos e queremos chegar com um pouco mais.
MN: Como está a elaboração do plano de governo?
Gondim: Está bem elaborado. O plano da segurança e saúde está pronto. A educação vamos melhorar muito. Vamos apresentar o plano de governo talvez no dia 15 ou 16 de agosto, quando puder usar o CNPJ, por causa da nova legislação.
MN: Caso ganhe a eleição, quais áreas serão prioritárias?
Gondim: Saúde e segurança, principalmente na Zona Rural.
MN: Como planeja administrar com a crise?
Gondim: Com fibra e economia. Não acredito que essa crise ultrapasse 2018, mas é preciso saber administrar com prioridade. A cidade precisa economizar de todos os lados. É necessário ter atenção com as entidades, principalmente as que cuidam de crianças em situação de risco e com necessidades especiais. É preciso dar atenção ao adolescente, para que participe da vida da cidade, do esporte, da cultura e do lazer, para evitar que ele vá para o lado das drogas.
MN: Quais são os desafios de administrar uma cidade como Mogi?
Gondim: É o tamanho de Mogi. O desafio é fazer com que as entidades de classe participem da administração. É muito importante uma gestão participativa de fato e de direito. É necessário escutar, anotar e dizer a viabilidade.
MN: Como vê os outros pré-candidatos?
Gondim: A democracia é linda. Me dou bem com o PSOL, com o Marcus Melo (PSDB) e com o Rodrigo Valverde (PT). A democracia é isso, são várias ideias. Às vezes existe aproximação um do outro, daqui a pouco podemos nos aproximar. É uma corrida de ideias políticas.
MN: Por que você deve ser eleito?
Gondim: Porque sou acessível, amigo, humano e tenho experiência de oito mandatos. Passei por várias administrações, desde as mais austeras às mais acessíveis. Realizei conquistas espetaculares para Mogi.