A família de Irene Pinheiro Teixeira, de 73 anos, afirma que a idosa morreu vítima de negligência, no Pronto Atendimento Central de Arujá, anteontem,  por falta de um especialista na área de cardiologia. De acordo com o sobrinho da vítima, o taxista Roberto Hirao, de 37 anos, a idosa tinha um problema cardíaco, além de pulmonar, e necessitava urgente de transferência a um hospital especializado em outra cidade.
Irene estava internada há uma semana e, neste período, os problemas de saúde foram se agravando. Os familiares teriam sido informados de que não havia médico especialista para atendimento ao caso. "Falaram que não tinha cardiologista. Ela estava com 'água no pulmão' e o coração inchado", comentou.
Abalado pela morte da tia, Hirao comentou sobre o ocorrido, logo após o enterro da tia. "Ela precisava ser avaliada por um especialista e ninguém falava nada. Também não conseguiram vaga para transferi-la de unidade. O resultado foi esse", lamentou.
Para o taxista, que mora há 35 anos no local, passou da hora de Arujá não depender mais das cidades vizinhas, como Itaquaquecetuba e Guarulhos, no que diz respeito à saúde dos munícipes. "Não dá mais para Arujá ficar dependendo dos vizinhos. O município precisa ter mais especialidades médicas", ressaltou.
Resposta
Questionada sobre a morte da idosa, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Arujá disse, em nota, que "a administração municipal lamenta o falecimento e se solidariza com a dor da família. A Secretaria de Saúde, assim como o Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim" (Cejam) - organização social que administra o Pronto Atendimento Central -, colocam-se à disposição dos familiares para qualquer informação e auxiliar no que for possível".
Walter Guinger, diretor técnico do Cejam, informou que, durante a internação, a paciente Irene recebeu "toda assistência médica e de enfermagem possível à uma Unidade de Pronto Atendimento, bem como tratamento medicamentoso para sua patologia". Ele esclareceu que a transferência para um hospital depende do sistema da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross). "E ele é gerido pelo Estado, no qual não temos ascensão", complementou.
O diretor afirmou ainda que a paciente deu entrada no Pronto Atendimento de Arujá no dia 18, às 16h06, com encaminhamento de um centro médico, assinado por um cardiologista, solicitando a internação urgente dela em um Pronto Socorro, para tratamento de "celulite bolhosa" em membros inferiores, detalhando o problema de saúde e enviando cópia das medicações em uso pela paciente para sua patologia cardiológica, bem como as recomendações do tratamento.
A paciente foi internada, realizou exames laboratoriais, iniciou o tratamento sugerido e foi cadastrada no sistema Cross para transferência para um hospital de complexidade maior, pois o exame clínico de entrada dela apresentava sinais de insuficiência cardíaca congestiva.
No dia 25, ela apresentou quadro de edema agudo de pulmão, evoluindo para parada cardiorrespiratória e, mesmo com as manobras de ressurreição cardiopulmonar, faleceu às 12h30, finalizou a nota.