Moradores do Parque Rodrigo Barreto e pais de alunos da escola municipal Professora Hermínia Araki, localizada na rua Professor Luiz Gonzaga Colangelo Nóbrega, em Arujá, reclamam das más condições da unidade, que conta com uma piscina construída há mais de 10 anos, praticamente sem uso durante quase todo esse período. Para a comunidade, o estado da instituição de ensino é de visível descaso e abandono, com portão que dá acesso ao estacionamento quebrado há pelo menos seis meses e a piscina - que deveria ser utilizada pelos estudantes em suas atividades -, desativada há anos.
Quem passa pelo local, lê logo na entrada da quadra poliesportiva (que também está com alambrados quebrados) uma frase pintada na fachada, que diz o seguinte: "A criança que não brinca não é feliz ao adulto que quando criança não brincou, falta-lhe um pedaço no coração (sic)". Uma contradição com o que acontece nas dependências da escola, já que a piscina, segundo uma fonte ligada à unidade, teria sido utilizada pelos alunos somente em uma ocasião, por nove meses, em um projeto da instituição de ensino que envolveu professores de Educação Física. "Isso foi aproximadamente no início da gestão do atual prefeito (Abel Larini - PR). Depois, como não teve mais a ampliação da jornada de trabalho e nem a contratação de professores, não houve a continuidade desse projeto", informou o entrevistado, que preferiu não se identificar.
Orçada em R$ 490.726,96 para os cofres públicos, a obra de cobertura e reforma da piscina está anunciada em uma placa, colocada ao lado da entrada para a quadra de esportes da escola. Porém, apesar de já coberta e das aulas terem sido retomadas após as férias, não foi passada pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Arujá, uma previsão de uso ou abertura da piscina aos alunos.
A administração municipal não deu muitos detalhes sobre a obra e disse, em nota, que "a piscina, de uso exclusivo dos alunos da unidade escolar, esteve paralisada em função das obras de cobertura".
Para a comerciante Ana Léia Matias Cavalcante, de 31 anos, que tem uma filha de 9 anos estudando no local, seria importante que ela fosse logo reaberta aos estudantes. "Seria bom que eles pudessem ter a oportunidade de usá-la o quanto antes", afirmou.
Para a segurança Ana Márcia Santos Henrique, 27, que também tem uma menina matriculada na unidade, a piscina realmente ficou "um bom tempo desativada" e poderia voltar a ter atividades para as crianças e adolescentes, como aulas de natação.
Invadida
Vale lembrar que, durante o tempo em que ficou fechada, a piscina chegou a ser invadida por populares, que entravam na escola nos finais de semana e brincavam em meio à água suja, correndo o risco de contaminação ou mesmo de afogamento.
No início do ano passado, a água parada serviu até de criadouro da dengue, pois chegaram a ser encontrados focos do Aedes aegypti.
O fácil acesso à unidade, que não conta com vigia, ainda facilitou a ocorrência de vários furtos, conforme ressaltou a comunidade. Para os moradores entrevistados, a piscina poderia ter sido utilizada, esses anos todos, também em prol da comunidade do Parque Rodrigo Barreto, um dos bairros mais populosos de Arujá, que conta com 5.392 lotes e acima de 25 mil habitantes.