Sabe-se que a depressão é considerada o "mal do século". De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a quantidade de pessoas acometidas por esta doença tem aumentado a cada ano, se comparada a outras épocas. No entanto, torna-se necessário estabelecer uma diferença entre a "depressão propriamente dita" e outros estados mentais, como a tristeza, que indica um estado de humor afetivo.
No quadro depressivo, os sintomas variam intensamente de grau. Alguns sintomas são constantes, como perda de interesse ou prazer, humor deprimido na maioria dos dias, alto nível de exigência consigo próprio, extrema submissão ao julgamento dos outros, baixa auto-estima, autodenegrimento, sentimento de perda do amor por parte de todos, sensação de ser um fracasso e de que nada mais vale a pena, insônia ou hipersonia quase todos os dias, perda ou ganho de peso acentuado sem estar em dieta, fadiga ou perda de energia constantes, permanente estado de que existe um desejo que jamais será alcançado.
A tristeza, assim como a alegria, é um sentimento próprio da vida. Muitas vezes relacionada a eventos desagradáveis, não é tão duradoura ou intensa que impeça a pessoa de continuar participando ativamente de sua vida cotidiana, como emprego, casamento e estudos. Já a depressão, nem sempre está relacionada a um evento desagradável específico, não é passageira e tende a limitar as ações habituais do indivíduo. Hoje entendemos que a depressão é um transtorno que pode acometer qualquer indivíduo, interferindo no sono, alimentação e energia. As pessoas deprimidas descrevem sensações físicas incômodas e dificuldade em realizar atividades corriqueiras, até mesmo as prazerosas.
Um ponto fundamental é logo procurar um psicólogo, para que esses sintomas sejam vistos, analisados e avaliados. Juntos, terapeuta e paciente poderão concluir se, de fato, trata-se de um quadro de depressão. Algumas vezes, é necessário medicação e terapia; outras vezes, a psicoterapia, por si só, ajuda o paciente a sair desse quadro. Estudos científicos já provaram que a psicoterapia funciona nas mesmas áreas cerebrais em que atuam os medicamentos psiquiátricos.
O foco do tratamento deve ser a melhora completa dos sintomas e a volta do paciente às suas atividades habituais. Para tanto, é preciso que alguns tabus relacionados à procura de um profissional de psicologia sejam quebrados, afinal somos corpo e psique.
Segundo o renomado estudioso da psicologia analítica, Dr. Carlos Byington, a depressão e a ansiedade são funções estruturantes da maior importância para o desenvolvimento da personalidade. Através da tristeza, função estruturante da depressão normal, elaboramos as perdas, os erros, as frustrações e todas as disfunções da elaboração simbólica. Sem nos deprimirmos e enfrentarmos a nossa sombra, é impossível conscientizar, rever e corrigir o mal que praticamos, muitas vezes contra nós mesmos.
Na depressão, a energia psíquica, que normalmente está disponível na consciência, regride ao inconsciente, onde irá remexer os sonhos, fantasias e desejos não realizados. O que esse sintoma quer me dizer que eu não sei? O que preciso olhar? No processo de análise, terei a chance de me conhecer melhor, descobrir o que é preciso mudar, perceber o que a minha alma grita e eu não ouço.