Com apenas 20 anos de idade, a judoca Aine Schmidt está prestes a dar um grande passo na concretização de um sonho e de ficar marcada na história do esporte olímpico. A judoca mogiana, que treina no Sogipa, em Porto Alegre, é uma das atletas mais promissoras da modalidade no País e colecionadora de dezenas de títulos nacionais e internacionais. E, se por enquanto ela não estará nas Olimpíadas do Rio de Janeiro como atleta, já deixará sua primeira marca olímpica pelas ruas de Mogi das Cruzes, onde terá a oportunidade, na próxima terça-feira, de conduzir a Tocha Olímpica, símbolo maior dos Jogos.
"É uma ansiedade e emoção tão grandes, que fica difícil explicar. Ainda estou absorvendo a notícia", comentou Aine, que soube há alguns meses da inclusão de Mogi na rota da passagem da Tocha e, posteriormente, fez inscrição para conduzir o símbolo olímpico, por incentivo de seu primeiro mestre, o sensei Paulino Namie. "É um momento único, uma honra para qualquer atleta conduzir a Tocha. Mas não imaginava que isso seria possível, que eu seria uma das escolhidas. Nem mesmo quando minha mãe me disse que haviam confirmado por telefone e pedido minhas medidas para o uniforme. Na verdade, a ficha ainda não caiu", disse a jovem, em tom bem-humorado.
Ela, assim como as demais 46 pessoas selecionadas para conduzir a Tocha, entre atletas, ex-atletas e estudantes, ainda aguarda a definição do trajeto que fará no dia 26.
Para Aine, o evento será também uma oportunidade de rever amigos e a família. "Estava há quase sete meses sem ver meus parentes, amigos e pisar na minha cidade. Amo muito Mogi, mas estou me preparando para conquistar uma vaga nas Olimpíadas de 2020, e preciso fazer o sacrifício de ficar longe. Conduzir a Tocha será uma honra, mas também uma oportunidade de sentir o quanto esse sonho pode se tornar real", confidencia a judoca, que apesar da pouca idade, já demonstra maturidade dos grandes atletas. Para ela, os Jogos do Rio servirão de inspiração e ajudarão até na preparação e na busca por um lugar na delegação que vai ao Japão daqui a quatro anos. "É preciso ter paciência, disciplina e persistência. Tudo tem sua hora. Quero manter o foco e treinar muito, porque sei que um dia meu momento vai chegar. De qualquer forma, o Brasil está muito bem representado no judô. A Mayara Aguiar (judoca que representará a seleção na categoria medio-médio (até 70 quilos) e está na mesma equipe do Sogipa) é uma grande atleta e, quando ela ganhar, me sentirei vitoriosa também", diz a mogiana.
Após o evento da Tocha Olímpica, Aine segue para Caraguatatuba, onde se juntará com a delegação de Mogi para a disputa dos Jogos Regionais.