O dia de hoje, 26 de julho de 2016, será considerado para Dirceu José Pinto, de 35 anos, e Maciel Souza Santos, 30, como um dia mais que especial em suas carreiras e uma realização pessoal. Além do pontapé inicial para a busca de mais medalhas e títulos nas Paralimpíadas que acontecerão no Rio de Janeiro, a passagem da Tocha Olímpica em Mogi das Cruzes, nesta manhã, conduzida por eles e outras 45 pessoas, será um "divisor de águas na história do esporte, uma espécie de quebra de barreiras e qualquer tipo de preconceito às pessoas com deficiência", relembra Dirceu, que acrescenta:
"Será um momento histórico, por conta do símbolo olímpico que passa por nossa região, mas também porque promove a integração de atletas olímpicos e paralímpicos. Algo inédito, porque, até então, o que se via era a passagem da Tocha em preparação às Olimpíadas e, posteriormente, um outro evento voltado às Paralimpíadas. Neste ano é realizado um só evento, que festeja o início das Olimpíadas e Paralimpíadas", comentou Dirceu, que ao longo dos últimos anos, como coordenador municipal do paradesporto em Mogi das Cruzes, tinha no tema "inclusão das pessoas com deficiência", sua principal meta pública. "Recebi o convite do prefeito Marco Bertaiolli em 2010 para esta função, que era tirar as pessoas com deficiência de casa e incluí-las na sociedade, por meio do incentivo ao esporte. E agora, com esse evento na cidade, sinto que atingi grande parte do objetivo, pois além dos ônibus, ruas e prédios com acessibilidade, agora, estamos todos juntos, atletas e paratletas, em único evento. É algo emocionante em diferentes aspectos", completa Dirceu.
Portador de distrofia muscular de cintura, uma doença rara genética e degenerativa, descoberta aos 12 anos de idade, Dirceu viu na natação a oportunidade para vencer no esporte. "A natação, fisioterapia e hidroterapia, eram recomendações médicas, mas goi na bocha adaptada onde me encontrei como atleta e conquistei medalhas paralímpicas (Pequim-2008 e Londres-2012). Neste ano, Dirceu estará em busca do tricampeonato.
Inspiração
Já Maciel Souza Santos também encontrou na bocha adaptada uma forma de vencer a paralisia cerebral e o isolamento social. "Durante grande parte da minha vida, fiz natação e fisioterapia, apenas como tratamento. A bocha eu também conheci como parte do tratamento, para melhorar a atividade motora e ativar o cérebro. Participei de muitas competições internacionais, mas quando vi o Dirceu ganhar a medalha paralímpica em Pequim, em 2002, percebi o quanto o esporte pode nos fazer completos. Me espelhei nele e agora sou outra pessoa", disse ele, que participou dos Jogos Paraolímpicos de Londres-2012, onde conquistou a medalha de ouro para o Brasil na classe BC2.