A Comissão Permanente de Agricultura da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes enviará ao Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) proposta para operações intermunicipais de fiscalização a ferros-velhos e outras medidas para combater a receptação de fios de cobre. A decisão foi tomada em reunião na manhã de ontem, pelo presidente do grupo parlamentar, Pedro Komura (PSDB).
O evento contou ainda com o vereador Antonio Lino (PSD), integrante da Comissão, além de representantes das empresas Telefonica/Vivo, Tim, Bandeirante Energia, das polícias Militar e Civil, da Guarda Municipal e dos Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança) do Centro e de Jundiapeba.
A preocupação com o aumento de furtos de fiação por causa do cobre em Mogi das Cruzes se agravou nos últimos meses e foi trazida à Comissão de Agricultura por Rosana Aparecida Bierbrauer, coordenadora da Telefonica, e pelo consultor institucional da mesma empresa, Antonio Marcos dos Santos. Segundo eles, no ano passado foram furtados 91,5 quilômetros de fios em Mogi das Cruzes e neste primeiro semestre já foram alvos do crime, 30,4 quilômetros. Em maio, houve 2.530 metros de fiação levadas e, em junho, outros 5.119 metros. Na variação entre os meses, a ampliação mais do que dobrou.
O secretário municipal de Segurança Pública, Eli Nepomuceno, disse que a Guarda Municipal ficará disponível para intensificar as fiscalizações. "É um problema crônico em todo Estado. No Alto Tietê, em determinados momentos, há altas desses furtos. É difícil combater, mas importante discutir. Queremos somar esforços junto às polícias Civil e Militar, até porque a prefeitura também é vítima, com prédios e praças públicos sendo alvos. O Centro Esportivo de Jundiapeba tem sido uma vítima constante".
Aldo Santos, gestor de combate às fraudes da Bandeirante Energia, reclama que a empresa sofre danos em sua imagem perante o consumidor. "O que atrai a atenção dos bandidos para nossos cabos é o cobre, com mercado de receptação que paga R$ 14,00 o quilo. O criminoso vê a facilidade. Dependendo do tipo, da espessura, levantam-se valores altos. Estamos trocando os fios de cobre por modelos de aços acobreados. Outro tipo de fio, quando é cortado, dá choque. É um crime que traz imensos transtornos, uma vez que respondemos à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com multas altas e rigorosas. Então, indiretamente, a imagem da empresa acaba sendo afetada pelo problema".
O major Anderson Caldeira, do 17º Batalhão da Polícia Militar, pediu que as vítimas formalizem suas reclamações. "É preciso que a população e as empresas formalizem as denúncias nos boletins de ocorrência. Nos dados oficiais de Mogi, temos quatro registros em abril, seis em maio e dois em junho".
A comunidade pode colaborar com informações sobre situações suspeitas, pelo telefone 0800-144-444, que funciona 24 horas.