Hoje completa um mês do acidente envolvendo o ônibus de estudantes que capotou na rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), matando 18 pessoas, sendo 17 universitários e o motorista, e deixando dezenas de feridos.
Conforme apurou a reportagem, atualmente apenas um dos sobreviventes permanece internado. Felipe Ferreira da Silva, de 17 anos, encontra-se no setor de enfermaria da Santa Casa de Santos e segue sem previsão de alta.
Para àqueles que retornaram às suas casas, os últimos 30 dias têm sido o momento de aprender a lidar com a perda dos colegas e buscar maneiras de seguir a vida em frente. É o que relata a jornalista Maria Jaislane, de 22 anos, esposa do estudante de engenharia civil, Wanderson da Silva Damaso, de 24 anos, um dos passageiros que seguia em direção a São Sebastião e que sobreviveu ao acidente. "Tem sido bem difícil depois do que aconteceu, mas a vida tem que continuar. Ainda estamos muito abalados. Meu marido voltou ao trabalho recentemente. Ele ainda sente muitas dores no corpo e tem feito acompanhamento médico", contou.
Segundo a jovem, que durante os últimos quatro anos utilizou o mesmo transporte para cursar a graduação na Universidade de Mogi das Cruzes, as forças para dar continuidade aos planos de vida são motivadas pelo desejo de realizar o sonho que os amigos morreram tentando concretizar. "A vontade dele agora é de voltar para a universidade, terminar o último semestre e se formar, não apenas por ele, mas também por todos que se foram e seus familiares", contou Maria.
Hoje, familiares das vítimas se reunirão no local do acidente para depositar flores e fazer uma oração no ponto em que o coletivo tombou.
O acidente
No dia 8 de junho, o ônibus que levava estudantes de três unidades de ensino da cidade de Mogi das Cruzes para o município de São Sebastião seguia em comboio com outros três veículos pelo
km 84 da rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), na divisa entre os municípios de Mogi das Cruzes e Bertioga, quando por volta das 23 horas, bateu em um rochedo na pista contrária e capotou. Nenhum outro veículo se envolveu no acidente.
Conforme noticiado pelo Mogi News, o laudo da perícia, que foi elaborado pelo Núcleo de Física do Instituto de Criminalística (IC) da polícia, apontou deficiência no sistema de frenagem do veículo devido ao desgaste excessivo dos tambores dos freios dianteiros, que deveriam ter sido substituídos por novos, demonstrando manutenção inadequada do ônibus.