O dia 8 de junho ficará marcado como um dos dias mais tristes vividos em Mogi das Cruzes. O acidente com o ônibus fretado que matou 18 pessoas (16 já identificadas) e deixou outras 17 feridas, gerou comoção na cidade e nas redes sociais. Sobreviventes e testemunhas contaram como foram os momentos de desespero vividos no quilômetro 84 da rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), na descida da serra.
O estudante de Engenheira Civil, Wanderson da Silva Damaso, de 24 anos, era um dos passageiros que seguia em direção a São Sebastião. Ele contou que o retorno estava normal, mas que, em uma das curvas da estrada, notou que algo estava estranho. "O motorista fez uma curva meio brusca e foi para a contramão, apertando a buzina. Imaginei que ele estivesse desviando de algum carro imprudente. Na outra curva, o ônibus entrou com a mesma velocidade e vi que tinha algo errado. Não dá para saber, mas acho que faltou freio", contou.
Damaso informou que vários estudantes entraram em pânico e que a sensação era de estar em uma "montanha russa". "Acredito que o motorista tentou reduzir a velocidade, pois escutamos o barulho dele tentando trocar a marcha. Algumas pessoas ficaram desesperadas, outras ficaram de pé. Eu apertei o cinto e agarrei a poltrona da frente. Olhei para a janela e vi que a roda estava perto do meio fio. Foi nessa hora que caiu a minha ficha que não passaríamos daquela curva. Logo depois o ônibus bateu e tombou", acrescentou.
O jovem explicou que ficou um tempo sem ouvir e que depois de recuperar a audição escutou muitas pessoas gritando por socorro. "Tinha pessoas em cima de mim. Consegui me soltar e sair do ônibus. Minha cara estava ensanguentada e só depois percebi o ferimento na minha cabeça. A ficha ainda não caiu; não parece que perdi tantos colegas", ressaltou.
A esposa de Damaso, Maria Jaislane, 22, concluiu o curso de Jornalismo em 2015 e costumava pegar o mesmo ônibus. "Perdi todos os meus amigos. Alguns já iam se formar. É muito triste", declarou.
O estudante de Engenharia Civil, Carlos Araújo, 19, estava no ônibus que vinha atrás do fretado que sofreu o acidente. "Estávamos a cinco minutos de distância. Fomos os primeiros a chegar ao local. Meu motorista e algumas estudantes de enfermagem desceram para prestar os primeiros socorros às vítimas", relatou.
A estudante de Psicologia, Ana Paula dos Santos, 21, perdeu uma amiga no acidente. "Temos um grupo no Whatsapp. Amigos mandaram a notícia. Ficamos muito preocupados, a princípio, pois ainda não tínhamos a dimensão da tragédia. Depois, ficamos sabendo que nossa amiga Ana Carolina tinha morrido. Estamos todos abalados", destacou.
Segunda chance
Era para ser mais um dia comum para a estudante de Jornalismo Hikary Cristina Bueno Alves, 18. Ela tinha se arrumado e, ao chegar ao ponto de ônibus, onde pegaria o fretado para Mogi, notou que o coletivo já havia passado. "Iria pegar o próximo ônibus e voltaria no meu, mas falei com uma amiga e acabei desistindo. Não sei o que me deu, pois nunca falto. Era para estar no ônibus que tombou. Amigos estavam no fretado, pessoas que conheço desde a infância. Um dos meus amigos ainda está desaparecido", contou.