O assunto que tomou conta da Câmara ontem foi o vídeo divulgado na segunda-feira pelo PR que fez ataques ao ex-prefeito Junji Abe (PSD). Mesmo antes do início da sessão ordinária, o assunto circulava pelos corredores. No plenário, era possível notar a formação de grupos de parlamentares que aproveitaram para conversar.
Juliano Abe (PSD) afirmou que o vídeo "não acrescenta em nada no debate político". "Queremos discutir políticas, programas e planos que venham a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Lamentavelmente, nossa família já foi vítima desse tipo de conduta em outras eleições, inclusive com preconceito racial", destacou.
O vereador Antonio Lino da Silva (PSD) repudiou o vídeo. "Não aprovo esse tipo de ataque, nem do meu partido ou de qualquer outro. A discussão tem que ser feita no campo dos projetos", declarou. O presidente do Legislativo, Mauro Araújo (PMDB) avaliou que o vídeo demonstra o afastamento definitivo entre o PR e o PSD. Olímpio Tomiyama (PMDB) disse que esperava que esse tipo de atitude fosse adotada durante o período da campanha e que Junji terá tempo para se defender.
Rinaldo Sadao Sakai (PR) informou que os vereadores do PR não tinham conhecimento sobre o conteúdo do vídeo. O partido tem a maior bancada do Legislativo com seis parlamentares. "Sabíamos que haveria algumas inserções do partido, mas não tínhamos conhecimento sobre o conteúdo, até porque isso é uma questão que a direção estadual do PR define".
Para Sakai, a veiculação do vídeo pegou os vereadores de surpresa, já que a parceria com o prefeito Marco Bertaiolli (PSD) deveria permanecer. "Temos que voltar a conversar com o partido para ver o que eles querem definir para o futuro. Temos um relacionamento de amizade com colegas de trabalho na Câmara", disse.
Deputados
O Mogi News procurou ontem os deputados estaduais do PR que representam a região, Marcos Damásio e André do Prado, para comentarem o assunto.
Prado disse que "não tinha conhecimento da veiculação desta propaganda, tendo em vista que compete ao diretório estadual do PR".
Damásio afirmou que não sabia da divulgação "da propaganda e que foi surpreendido como todos", mas não considerou o vídeo como um ataque pessoal a Junji.
O deputado federal Marcio Alvino (PR) também foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos.