O clima de comoção tomou conta de muitos familiares, na manhã de ontem, durante entrevista no escritório do advogado José Beraldo. Pais, maridos e esposas lembraram do último contato que tiveram com os universitários antes do acidente fatal. Em busca de conforto, após a perda, eles clamam por Justiça. Os parentes ainda afirmam que não receberam nenhum apoio psicológico por parte da União do Litoral e nem da Prefeitura de São Sebastião.
Ainda abalada, a mãe de uma das vítimas, Maria Alves de Lima, relata que a filha planejava morar em Mogi das Cruzes, para evitar as viagens, pois sentia medo. "Ela foi para a faculdade na quarta-feira, mas não iria na quinta. Ela ainda disse 'mãe, eu não quero ir'. Então ela foi, me beijou e se despediu", lembrou emocionada, a mãe de Rita de Cássia de Lima, que cursava enfermagem. "Passei sete anos lutando para engravidar e agora tudo foi embora. Era minha única filha. Tudo por negligência do ser humano. Só quero Justiça e pelos outros que passaram pela mesma dor que eu".
O estudante de engenharia elétrica Aldo de Souza Carvalho, 28, também morreu no acidente e deixou dois filhos, de 1 e 10 anos. "As crianças sempre perguntam do pai. O mais velho não aceita. Eles precisam de um apoio psicológico", contou a esposa do universitário, Domingas de Carvalho Souza, lembrando que o marido sempre se queixava das condições do coletivo. "O ônibus quebrava muito".
O pai da estudante de farmácia, Janaína Oliveira, 20, conta que ela já morava em Mogi para evitar as viagens. "Um dia antes do acidente, ela me ligou avisando que voltaria para casa, porque o estágio acabou", lembrou Jair Oliveira, que disse ainda que os sobreviventes estão traumatizados. "As famílias dos outros alunos contam que eles não querem mais subir a serra. Os pais estão se reunindo em grupos para levá-los de carro".
Todos os familiares contaram que várias reclamações foram feitas à Secretaria de Educação sobre as condições dos ônibus, que, frequentemente apresentavam defeitos e não tinha cinto de segurança. Como resposta, eles ouviam que "é normal o coletivo quebrar, porque é de graça". (F.F.)