A crise começa a fazer as malas. Depois de se hospedar no Brasil e aproveitar como bem quis da força de vontade de trabalhadores, empresários e cidadãos comuns, chegou a hora de partir. Como tudo na vida, deixará rastros, marcas e cicatrizes, mas o importante é que vai deixar aprendizados. Que o eleitor aprenda que um governo que faz farra com o dinheiro e oferece benefícios a rodo, nem sempre age por pensar nos menos favorecidos, mas para conquistar o voto de famílias humildes.
Para quem busca informações para entender a crise, sabe que tudo começou por volta de 2008, quando o Brasil vivia uma ótima fase econômica, gerando empregos e oferecendo crédito fácil às pessoas. O mais correto naquela época seria segurar a onda, diminuir a oferta de benefícios e se planejar para que o País usufruísse daquela tranquilidade e calmaria por longos anos. Muitas vezes, o difícil não é conquistar um objetivo, mas mantê-lo consigo por muito tempo.
Na metade da década passada, o Brasil colhia os frutos da política do Plano Real, iniciada em 1994, e também dos investimentos em áreas sociais, implantado pelo governo Lula. Dali para frente, não vimos nenhuma ação preparatória para o futuro. Como é conhecido do público, o então ministro da Educação, Cristovam Buarque, teria oferecido um plano para a área educacional, mas Lula não o aprovou, pois os resultados só apareceriam em mais de 10 ou 15 anos. Governantes precisam ter visão de futuro.
Quando Dilma assumiu a presidência, o Brasil não sabia o que era crise, e ela conseguiu afundar o País. Seja por sua falta de simpatia com colegas políticos, seja pela falta de uma boa equipe de governo, a maioria de seus ministros era de ex-sindicalistas e petistas fervorosos que não tinham experiência para as áreas em que foram nomeados. Ela foi criando inimigos, desafetos e inspirando a raiva na população.
O que ocorreu nos últimos anos, com empresas demitindo e falindo e a economia em frangalhos foi apenas o resultado de uma soma de fatores. Hoje, muitos desses políticos sem visão não estão mais no governo. Se Temer e seus aliados são melhores que os petistas há suas dúvidas, mas parece haver um consenso neste governo de que não se pode privilegiar eleitores no lugar de brasileiros.
A verdade é que não tem como piorar, por isso o otimismo. Aos poucos, com o olhar no futuro, poderemos manter por mais tempo uma boa situação econômica. Usá-la para formar eleitores para seu próprio partido é um erro que nunca mais poderemos admitir.