O combate à epidemia de cesarianas no Brasil ganhou um novo aliado. Trata-se da nova regra para realização de partos cesarianos prevista em uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que passou a vigorar na última quarta-feira.
Com a determinação, os partos por meio de cesárea a pedido da gestante só poderão ser realizados a partir da 39ª semana de gestação. A mudança, que estabelece o limite de duas semanas a mais do que o disposto anteriormente, visa proteger a mãe e o bebê.
A justificativa foi dada com base em um estudo elaborado em 2013 pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, que classifica a gestação a partir de 39 semanas como o período "gestação a termo", ou seja, quando o bebê não é prematuro e já se desenvolveu por completo.
A medida foi avaliada de forma positiva pelo pediatra neonatologista, Fabiano Fonseca. "A recomendação do CFM está baseada em diretrizes americanas e, sem dúvidas, quem ganha são os nossos recém-nascidos. Quando a mãe optar por cesárea, o que deve ser respeitado, essa deverá acontecer com 39 semanas ou mais, que é quando existe uma maturidade para o bebê enfrentar a vida extrauterina, diminuindo as complicações e mortalidade".
Fonseca destacou ainda que o baixo índice de partos normais é consequência de fatores enraizados na cultura brasileira. "A questão da baixa adesão ao parto normal no Brasil é cultural. Não existe uma política pública efetiva para ele e ainda somos deficientes em centros de parto normal verdadeiramente acolhedores para a gestante".
Segundo ele, isso faz as gestantes preferirem dia, hora, local e equipe de saúde previamente agendado para realizar uma cesárea. "Muitas vezes, a gestante faz o pré natal com seu médico de confiança e na hora que entra em trabalho de parto tem que ir a um pronto-socorro e quem a assistirá será outro profissional", concluiu.