Entre janeiro e maio deste ano, 5.387 partos foram registrados na rede municipal de Saúde do Alto Tietê. Destes, 2.734 foram cesarianos, o que corresponde a 50,7% do total. Na prática isso significa que a cada dez nascimentos realizados na região, pelo menos cinco foram por meio de cesárea. Os dados são das Secretarias Municipais de Saúde de Arujá, Mogi das Cruzes e Suzano e incluem apenas os nascimentos ocorridos nas maternidades mantidas com aportes do município.
Apesar do índice ser considerado baixo, se comparado ao número de cesarianas realizadas em instituições particulares (que em alguns casos chegam a até 90%), o montante de 50,7% está longe do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que preconiza que apenas 15% dos nascimentos não ocorram de forma natural.
Para a instituição, a cesárea "é uma intervenção efetiva para salvar a vida de mães e bebês, porém apenas quando indicada por motivos médicos. Além disso, ela pode causar complicações significativas e às vezes permanentes, assim como sequelas ou morte, especialmente em locais sem infraestrutura e/ou sem a capacidade de realizar cirurgias de forma segura e de tratar complicações pós-operatórias. Idealmente, este procedimento deveria ser realizado apenas quando ele for necessário, do ponto de vista médico", orienta.
Na região, o maior percentual de cesarianas foi realizado em Mogi (57,9%), que superou até mesmo os indicadores regionais. Ao todo, a Santa Casa de Misericórdia da cidade realizou 3.993 partos nos primeiros cinco meses deste ano, dos quais 1.680 foram normais e 2.313 cesarianas.
A Secretaria Municipal de Saúde de Mogi informou que para incentivar os partos normais tem realizado diversas ações como a qualificação do pré-natal e a implantação de serviços específicos como o Programa Mãe Mogiana, que garante atendimento multidisciplinar às gestantes e uma maior aproximação com equipe responsável pelos partos realizados na Santa Casa.
Já o menor percentual (25,7%) foi registrado em Suzano. Isso porque das 972 crianças nascidas na Santa Casa da cidade, 722 foram por vias normais e apenas 250 por meio de cesárea.
A Maternidade Municipal Dalila Ferreira Barbosa, de Arujá, por sua vez, efetuou 426 partos ao longo deste período. Destes, segundo a prefeitura, 251 foram normais e 171 foram cesárias, o que corresponde a 37,5%.