Sem informar a Câmara sobre o resultado das investigações acerca das supostas irregularidades cometidas pela empresa que administrou seu concurso público, o Instituto de Previdência do Município de Suzano (IPMS) convocou ontem um candidato aprovado no processo de seleção para procurador jurídico realizado pela Coordenadoria de Apoio a Instituições Públicas (Caip), unidade organizacional vinculada à Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS).
A nomeação para o cargo de procurador estava suspensa até que os questionamentos feitos pela Comissão de Administração Pública da Câmara fossem respondidos. Em entrevista concedida anteontem, o vereador Walmir Pinto (PT), que integra o grupo, afirmou não ter recebido retorno por parte do presidente do IPMS, Joel de Barros Bittencourt, sobre a investigação. "Eu fiz um ofício pedindo um retorno, mas ainda não tive resposta. Vou cobrá-lo novamente para ver como ficou essa análise que eles fariam", explicou.
No concurso, aberto em junho do ano passado pelo IPMS, havia dez vagas em regime estatutário para candidatos com formação nos níveis fundamental, médio, técnico e superior. As funções eram de agente de gestão administrativa, ajudante geral, assistente social, auxiliar administrativo, contador, diretor administrativo financeiro, diretor de benefícios e gestão de pessoas, motorista e procurador jurídico.
Em Mogi das Cruzes, a prefeitura decidiu cancelar o concurso para o cargo de procurador jurídico, após ter acatado algumas sugestões dadas pela Comissão de Sindicância por ela instaurada, que apurou a realização do certame, cujas provas também foram aplicadas pela Caip.
No relatório, a comissão concluiu que "os membros entenderam, por unanimidade, não haver provas conclusivas de que, de fato, houve irregularidade no concurso, embora haja indícios".
Entre os pontos mencionados, acerca da lisura do certame, está o fato de a coordenadoria da Caip não ter conhecimento sobre as pessoas que tiveram acesso às provas; o professor responsável pela elaboração do exame conhecer e ter sido professor de todos os egressos da USCS, que foram classificados em primeiro lugar em seus respectivos certames, além de o mesmo professor dar aula em cursinhos para concursos públicos.
Em Suzano, a primeira colocada no processo seletivo para a vaga de procurador jurídico do IPMS é ex-aluna da USCS. A suspeita de um possível favorecimento da concorrente foi levantada, no final do ano passado, pelo juiz da Vara da Fazenda Pública de Mogi, Bruno Machado Miano, que autorizou a suspensão de dois concursos. No edital pulicado pelo instituto ontem, o procurador convocado não se trata da primeira colocada.
O jornal tentou, mas não conseguiu contato com o IPMS até o fechamento desta edição.