Após audiência de custódia realizada na manhã de ontem, junto ao Fórum de Mogi das Cruzes, os quatro homens detidos no último domingo, após uma confusão envolvendo a Guarda Civil Municipal (GCM), foram soltos para responder ao processo em liberdade. Eles são acusados de danos ao patrimônio público, desacato e resistência à prisão. Um dos indivíduos foi indiciado também por porte de entorpecentes, uma vez que no ato da abordagem, portava 14,6 gramas de maconha.
Para o advogado de defesa, Delmiro Goveia, a permissão para que os indiciados respondam em liberdade já era esperada, considerando principalmente o perfil deles. "Todos os acusados são trabalhadores e estudantes. São primários, tendo bons antecedentes e com residência fixa. O delegado foi parcial na elaboração da ocorrência. Ele poderia ter liberado todos na ocasião, mas preferiu "fritar" os garotos", disse.
Ainda segundo Goveia, a conduta dos GCMs também deverá ser analisada a partir de agora. "Durante o processo, vai se apurar a conduta também dos GCMs, já que foram eles quem começaram a confusão e agrediram os grafiteiros. Além disso, a conduta do delegado vai ser objetivo de um pedido junto à Corregedoria para apuração", comentou.
Os vídeos que circulam nas redes sociais e que registram algumas cenas da confusão entre os grafiteiros, GCMs e testemunhas, também serão utilizados como meios de prova pela defesa. "Eles já estão nos autos, onde comprovam que o início das agressões partiu dos guardas, com spray de pimenta e soco, que acabou deixando um deles desmaiado. A filmagem demonstra que os profissionais estão despreparados, sendo uma das razões para não portarem armas", concluiu.
Procurado pela reportagem para fornecer mais informações sobre a audiência de custódia em questão, o Tribunal de Justiça de São Paulo informou que terá que "aguardar que o processo seja distribuído para uma das três varas criminais, para só depois solicitar informações ao juiz que ficará com a causa", concluiu.